O Programa de Ação para a Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, idealizado pelo Espaço da Cidadania e parceiros, segue promovendo rodas de conversa e visitas técnicas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência no ambiente produtivo e ao fortalecimento do cumprimento da Lei de Cotas.
Dando continuidade às atividades, no último dia 6 de maio o auditório do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga-SP) recebeu a equipe do Espaço da Cidadania, seus parceiros e convidados para uma visita ao programa Coexistir, iniciativa de inclusão e diversidade desenvolvida pela entidade patronal.
Durante o encontro, representantes de empresas, entidades e profissionais ligados à pauta da inclusão no mercado de trabalho puderam conhecer a trajetória do programa, suas ações de apoio às empresas e os desafios enfrentados pelo setor varejista na construção de ambientes mais acessíveis e acolhedores.
O dirigente sindical Carlos Clemente destacou a importância do Coexistir como referência em inclusão dentro do segmento patronal. “Para nós, a melhor experiência de atuar com empresas, orientando-as, por meio de um sindicato patronal, é aqui no Sincovaga. Vira e mexe este salão está cheio de empresas debatendo diversidade e inclusão”, afirmou.
Clemente ressaltou ainda que as visitas técnicas promovidas pelo Programa de Ação para a Empregabilidade da Pessoa com Deficiência têm papel estratégico na disseminação de boas práticas e no fortalecimento das redes de apoio à inclusão. “Quem participa das visitas consegue perceber experiências reais, caminhos possíveis e ações concretas para transformar os ambientes de trabalho”, observou.
Coordenadora do Coexistir, Maria de Fátima apresentou aos participantes a origem da iniciativa, criada em 2012, a partir das dificuldades enfrentadas pelas empresas do varejo alimentício para cumprir a Lei de Cotas e estruturar processos efetivos de inclusão. “As empresas estavam sempre sendo fiscalizadas e enfrentavam desafios para conseguir cumprir a Lei de Cotas. Então, buscamos entender o que estava difícil, quais eram os desafios e como poderíamos apoiar”, explicou.
Segundo ela, os obstáculos iam muito além da contratação. “As empresas diziam: ‘eu não acho profissionais’, ‘minha liderança não me ajuda’, ‘minha equipe não sabe entrevistar’, ‘as famílias têm receio’. E isso não era mentira. Existiam desafios reais que precisavam ser enfrentados”, relatou.

Maria de Fátima explicou que o Coexistir nasceu justamente da necessidade de criar um espaço permanente de orientação, troca de experiências e construção coletiva de soluções. “A partir daí, o Sincovaga criou o Coexistir e começamos a apoiar as empresas e desenvolver atividades para trabalhar inclusão de forma contínua”, afirmou.
Ela destacou que o programa atua em diferentes frentes, como letramento corporativo, orientação às lideranças, análise de postos de trabalho, desenvolvimento de acessibilidade e promoção de ações voltadas à mudança de cultura dentro das organizações. “Inclusão não é papel só da pessoa que faz entrevista. Inclusão é de todo mundo que está dentro da empresa. É do técnico de segurança, da área de treinamento, do jurídico, do médico do trabalho, das lideranças e das equipes”, ressaltou.
Durante a apresentação, Maria de Fátima também chamou atenção para os desafios específicos do varejo alimentício, setor marcado por alta rotatividade de funcionários e contato constante com o público. “No varejo alimentício, o letramento não tem prazo para acabar. O turnover é muito alto e as equipes mudam o tempo todo. Então, é um trabalho contínuo de conscientização e formação”, explicou.
Ela relatou ainda que um dos grandes desafios está na mudança de cultura da sociedade. “O trabalhador com deficiência não se relaciona apenas com o gestor ou com os colegas. Ele também se relaciona com o cliente. E, muitas vezes, o cliente ainda reproduz preconceitos e barreiras”, afirmou.
Ao explicar o conceito do programa, a coordenadora destacou o significado do nome Coexistir. “A gente acredita que coexistimos simultaneamente. A única coisa que nos iguala é o fato de sermos humanos. Todas as outras características nos diferenciam. E essas diferenças não podem impedir que todos tenham os mesmos direitos garantidos”, declarou.
Outro ponto enfatizado por Maria de Fátima foi a necessidade de olhar para a inclusão de forma prática e personalizada. Segundo ela, muitas vezes pequenas adaptações fazem grande diferença na permanência e no desempenho do trabalhador com deficiência. “Quando uma empresa pede um profissional, eu preciso entender como é o acesso, como é o transporte, como funciona o ambiente. Às vezes, uma adaptação simples resolve uma barreira enorme”, explicou.
Atualmente, o Coexistir reúne mais de 160 participantes em seu grupo de trabalho e promove palestras, rodas de conversa, treinamentos e ações práticas junto às empresas representadas pelo Sincovaga-SP. O objetivo é apoiar o varejo alimentício na construção de ambientes acessíveis, inclusivos e preparados para acolher profissionais com deficiência em diferentes funções e regiões do país.
A visita integrou a programação das rodas de conversa do Programa de Ação para a Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, idealizado pelo Espaço da Cidadania, iniciado em 9 de abril, que seguirá promovendo encontros e visitas técnicas nas próximas semanas, reunindo empresas, sindicatos, instituições públicas e organizações comprometidas com a promoção da inclusão no mercado de trabalho.
O programa terá atividades ao longo dos meses de maio e junho, encerrando-se em 8 de julho, com um Encontro/Fórum na capital paulista. Nos três primeiros encontros, os participantes conheceram o ICOM, plataforma de comunicação em Libras para empresas e governos; a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo (SRTE-SP), responsável pelo Projeto de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Reabilitados no Mercado de Trabalho; e a Fundacentro, órgão federal voltado à pesquisa e prevenção de acidentes e doenças do trabalho.
Mais informações: https://www.coexistir.com.br/
Thais Abrahão – Presstalk Comunicação
MAI/26