O faturamento real do varejo brasileiro caiu 2,5% em junho de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, descontada a inflação. O resultado interrompe uma sequência de dois meses de alta e reflete um consumidor mais cauteloso, em meio a juros elevados e inflação persistente.
Os três principais macrossetores monitorados pelo Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) registraram retração. O setor de serviços teve queda de 4%, impactado principalmente pela redução no movimento de bares e restaurantes. Já o segmento de bens duráveis e semiduráveis recuou 3,5%, com destaque negativo para materiais de construção, móveis, eletrodomésticos e lojas de departamento. O setor de bens não duráveis caiu 1,6%, pressionado pelo desempenho mais fraco de supermercados e hipermercados.
Segundo Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, o resultado demonstra que o consumidor tem priorizado gastos essenciais e controlado despesas mais supérfluas.
Todas as regiões do país apresentaram queda no faturamento real, sendo mais acentuada no Centro-Oeste (–4,2%), seguida por Norte (–4,1%), Nordeste (–3,8%), Sul (–2,7%) e Sudeste (–1,8%). Em termos nominais, sem o desconto da inflação, o faturamento total do varejo cresceu 2,8%, com avanço de 2,9% nas vendas presenciais e de 2,5% no comércio eletrônico. A diferença entre os resultados reais e nominais evidencia o impacto da inflação sobre o consumo
Fonte : Reuters