José Inácio Pilar
O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, depois de registrar deflação de 0,40% em agosto, e ficou acima das expectativas. Em 12 meses, a alta passou de 4,24% para 4,47%, ainda dentro do intervalo de tolerância da meta, mas muito próxima do limite superior de 4,50%. A leitura exige separar o que veio de efeitos pontuais do que mostra persistência da inflação.
A maior pressão no mês veio de Habitação, que avançou 2,07% e respondeu por 0,31 ponto percentual do índice. O principal fator foi a energia elétrica residencial, que subiu 7,42% depois da queda de 6,25% em agosto, com o fim do efeito do Bônus de Itaipu.
Transportes também pesou, com alta de 0,60% e impacto de 0,12 ponto, sobretudo pelas passagens aéreas, que ficaram 9,82% mais caras. Combustíveis tiveram comportamento misto, com gasolina e gás veicular em alta, enquanto diesel e etanol recuaram.
Parte inferior do formulário
A surpresa do IPCA-15 em relação ao mercado foi relevante. A pesquisa da Reuters apontava 0,53% para o mês e 4,30% em 12 meses. Isso significa uma diferença de 0,17 ponto no resultado mensal. A composição, entretanto, é mais importante que o número isolado.
A conta de luz e as passagens aéreas explicam boa parte da alta. Ainda assim, alimentos voltaram a subir e serviços seguem no radar. Alimentação e Bebidas subiu 0,40%, após queda de 0,57% em agosto. Tomate, arroz e carnes avançaram, embora feijão, cebola e café tenham recuado.
Bens industriais, pelo que se vê no mês, vieram mais contidos, mas despesas pessoais também aceleraram, influenciadas principalmente pelo cigarro.
Só 54% dos itens da cesta subiram no mês. Isso mostra que a inflação não pegou o consumo inteiro, embora serviços ainda peçam cuidado, com o mercado de trabalho aquecido.
O dado chega poucos dias depois de o Copom reduzir a Selic para 13,75% e manter uma comunicação cautelosa. A ata destacou que a inflação ainda está acima da meta e que as expectativas para 2026 e 2027 permanecem elevadas.
O IPCA-15, mesmo mais alto que a expectativa, não elimina a possibilidade de novos cortes, mas reduz espaço para uma aceleração do ritmo. A próxima decisão tende a depender menos do salto de setembro e mais do comportamento de serviços, expectativas e núcleos nos próximos meses.