O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje, 12 de junho de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de maio. O indicador avançou 0,58% na comparação com o mês anterior. O valor surpreendeu a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que esperava crescimento de 0,49%, e o restante do mercado, que esperava 0,53%.
Assim como em abril, o valor de maio é o maior para o mês nos últimos anos. Desde 2021, quando atingiu 0,83%. A inflação acumulada em 12 meses superou o teto da meta, de 4,5%, pela primeira vez desde outubro de 2025. A subida da inflação no primeiro semestre é fortemente influenciada pela guerra do Irã, que encarece o preço dos combustíveis e fertilizantes.
O grupo de alimentação e bebidas foi novamente o principal destaque no período, registrando alta de 1,33%, frente a 1,34% no mês anterior. O impacto do grupo (0,29 p.p.) correspondeu à metade do crescimento geral no mês. O aumento se concentra na alimentação no domicílio (1,79%), enquanto a alimentação fora do domicílio cresceu 0,49%.
Os últimos meses reverteram a tendência observada no fim do ano passado. Em dezembro, o acumulado em 12 meses da alimentação em domicílio era de apenas 1,43%, hoje é de 2,99%. Já para alimentação fora do domicílio, o acumulado era de 6,97% em dezembro contra 6,22% hoje. Dois componentes afetaram os preços dos alimentos, a guerra, que encareceu insumos para o plantio; e a safra, que foi menor que a do ano passado, recorde histórico do setor.
O subgrupo de combustíveis registrou deflação de 0,95% em maio, revertendo a alta de 1,80% observada em abril e atuando como principal fator de alívio para a inflação do mês. O movimento foi puxado pelas quedas do etanol (-6,20%), da gasolina (-1,46%) e do óleo diesel (-2,34%). A gasolina, em particular, exerceu o maior impacto negativo individual no IPCA, retirando 0,08 ponto percentual do índice geral. A redução dos preços dos combustíveis impactou o grupo Transportes, que registrou recuo de 0,46%, sendo o único grupo com variação negativa em maio.
O grupo Alimentação e bebidas registrou a maior contribuição para a inflação de maio, com alta de 1,33% e impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA do mês. O resultado foi impulsionado principalmente pelos aumentos da batata inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%) e das carnes (1,39%), refletindo pressões sobre a oferta de alimentos in natura e semiprocessados. As quedas do café moído (-2,38%) e das frutas (-0,70%) ajudaram a conter parcialmente a inflação do grupo.
O grupo Habitação registrou alta de 1,23% em maio. O resultado foi impulsionado pela energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e exerceu o maior impacto individual no IPCA do mês (0,15 p.p.). A elevação refletiu tanto os reajustes tarifários aplicados em diversas capitais quanto a vigência da bandeira tarifária amarela durante o mês, que aumentou o custo da conta de luz para os consumidores. Com isso, o grupo respondeu pelo segundo maior impacto na inflação de maio, contribuindo com 0,19 ponto percentual para o resultado geral do índice.
O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,90% em maio, configurando a terceira maior contribuição para o IPCA do mês, com impacto de 0,12 ponto percentual. O resultado foi impulsionado principalmente pelos artigos de higiene pessoal, que avançaram 1,95%, com destaque para o aumento dos preços dos perfumes (4,42%). Além disso, os planos de saúde registraram elevação de 0,50%.
O grupo Despesas pessoais registrou alta de 0,41% em maio, mantendo contribuição relevante para a inflação do período, com impacto de 0,04 ponto percentual no IPCA. O resultado representou leve aceleração em relação ao avanço de 0,35%, observado em abril, refletindo reajustes em serviços e despesas ligadas ao consumo das famílias. Embora tenha exercido impacto inferior ao dos grupos Alimentação e bebidas, Habitação e Saúde e cuidados pessoais, o segmento continuou contribuindo para a disseminação das pressões inflacionárias observadas no mês.
A CNC espera crescimento de 0,25% no próximo mês e de 5,1% em 2026.
Fonte : portaldocomercio.org.br