Juros elevados pressionam resultados do varejo e consumo em 2025

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O setor brasileiro de bens de consumo e varejo continua sentindo os efeitos dos juros elevados sobre seus resultados financeiros. Matéria publicada no jornal Valor Econômico do dia 09/06, de autoria de Taís Hirata e Vitória Nascimento, mostra que de acordo com levantamento da consultoria A&M (Alvarez & Marsal), as despesas financeiras consumiram, em média, 45% do Ebitda das empresas do segmento em 2025, índice superior aos registrados nos anos anteriores e que evidencia o impacto do atual cenário econômico sobre a rentabilidade das companhias.

Segundo especialistas ouvidos pela A&M, a manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados tem limitado a capacidade de crescimento das empresas, especialmente aquelas com maior nível de endividamento. Em 2024, as despesas financeiras já representavam 33,3% do Ebitda das companhias analisadas, percentual que subiu significativamente neste ano.

Para o diretor da A&M, Guilherme Kam, o cenário ainda não aponta para uma redução relevante da pressão financeira. Segundo ele, mesmo que ocorram cortes na taxa Selic ao longo do ano, os efeitos positivos sobre os balanços corporativos tendem a ser graduais.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings também avalia que a recuperação do setor deve ocorrer de forma lenta. A expectativa é de um ambiente ainda desafiador para empresas de varejo e consumo, embora menos intenso do que o observado nos últimos anos.

Entre os casos destacados está o do Grupo Pão de Açúcar (GPA), que reduziu sua alavancagem financeira por meio de renegociações de dívidas e venda de ativos. A companhia também ampliou o prazo médio de seus compromissos financeiros, buscando melhorar sua estrutura de capital.

Outras empresas do setor, como Casas Bahia, Lojas Marisa, Magazine Luiza e Tok&Stok, seguem adotando estratégias para reduzir endividamento, melhorar a eficiência operacional e preservar margens. No caso das Casas Bahia, a recuperação extrajudicial concluída em 2024 contribuiu para a redução das despesas financeiras, embora a companhia ainda opere sob forte pressão do custo da dívida.

O levantamento mostra ainda que varejistas têm recorrido à revisão de portfólios, venda de ativos não estratégicos e ajustes de preços para compensar o aumento das despesas financeiras. No entanto, especialistas alertam que a sensibilidade do consumidor aos preços limita a capacidade de repasse integral dos custos.

Apesar do cenário desafiador, empresas com estruturas de capital mais equilibradas e foco em eficiência operacional tendem a apresentar melhor desempenho. A expectativa do mercado é de que uma eventual redução consistente dos juros possa criar condições mais favoráveis para a retomada do crescimento do setor nos próximos anos.

Fonte: Matéria “Juros altos derrubam resultado do varejo e consumo”, de Taís Hirata e Vitória Nascimento, publicada no jornal Valor Econômico.

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