O varejo brasileiro atravessa uma transformação estrutural que vem marcando o fim da presença direta de famílias fundadoras no controle de grandes redes tradicionais, segundo matéria do jornal Valor Econômico de hoje, 26/01. Grupos como Pão de Açúcar, Casas Bahia e Hering encerraram, em 2025, ciclos históricos de gestão familiar, refletindo um movimento que também se observa em outros países.
A mudança resulta de uma combinação de fatores, entre eles crises financeiras, processos de recuperação judicial, fusões, aquisições e a crescente profissionalização da gestão, além dos impactos da digitalização e da mudança no comportamento do consumidor.
Criado por Valentim Diniz, o Grupo Pão de Açúcar deixou de ser controlado pela família Diniz após uma série de operações societárias. O grupo foi absorvido pelo Casino, e, mais recentemente, passou por nova reorganização acionária, encerrando definitivamente a influência direta da família fundadora na condução dos negócios.
A trajetória da Casas Bahia seguiu caminho semelhante. Fundada por Samuel Klein, a varejista enfrentou dificuldades financeiras que culminaram em recuperação judicial. A gestão passou para fundos e gestores profissionais, com participação do Mapa Capital, marcando o afastamento da família Klein do comando da empresa, embora membros ainda permaneçam como acionistas.
Outro exemplo emblemático é o da Hering. Fundada em 1880, em Blumenau (SC), a marca permaneceu sob controle da família fundadora por mais de 140 anos. Em 2025, o ciclo chegou ao fim com a consolidação da gestão pela Azzas 2154, resultado da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, encerrando definitivamente a administração familiar.
Especialistas apontam que o fenômeno está diretamente ligado à chamada desmaterialização do varejo, impulsionada pelo avanço do comércio eletrônico e pela mudança no papel das lojas físicas. A necessidade de investimentos elevados em tecnologia, logística e integração de canais tem favorecido grupos com maior escala e acesso a capital.
Embora o varejo brasileiro ainda preserve importantes redes familiares, o movimento de profissionalização tende a se intensificar. Para analistas do setor, o afastamento das famílias fundadoras não representa necessariamente o fim das marcas, mas sim uma adaptação ao novo ambiente competitivo, mais concentrado e digitalizado.
Fonte: Valor Econômico