O Boletim Focus desta semana reforça a tendência de desinflação lenta, com nova queda nas expectativas para o IPCA de 2025, agora em 5,09%, e leve ajuste para baixo em 2026 (4,44%). O recuo contínuo ocorre mesmo com a elevação das tensões comerciais com os EUA, o que aponta resiliência do canal cambial e controle relativo sobre os preços administrados até aqui
As projeções de PIB permanecem praticamente inalteradas: 2,23% para 2025, e uma leve alta para 2026 (1,89%). O mercado segue avaliando os efeitos defasados da política monetária e da desaceleração global, especialmente após dados fracos da indústria nos EUA e na Europa
O câmbio seguiu estável, com o dólar projetado em R$ 5,60 ao fim de 2025, apesar da imposição de tarifas de até 50% pelos EUA sobre produtos brasileiros. O anúncio surpreendeu parte do mercado e gerou instabilidade momentânea, mas o impacto foi parcialmente neutralizado após a última revisão anunciada. Ainda é preciso ver qual será a resposta do governo brasileiro. Se a opção for pela retaliação, veremos mudanças no câmbio, mas também na inflação e atividade.
Em sua última reunião, ocorrida no dia 30/07, o COPOM optou por manter a taxa Selic em 15% para 2025. A ata do Copom segue orientando para manutenção prolongada do juro real elevado, enquanto as expectativas de inflação não voltarem a se alinhar à meta. A CNC reafirma sua projeção de estabilidade da Selic no restante de 2025. O Focus da semana trouxe estabilidade nas expectativas da taxa para os 3 próximos anos
As projeções para o resultado primário mostraram leve melhora para 2026, com o déficit estimado passando de -0,66% para -0,62% do PIB. Para 2025 e 2027, as expectativas foram mantidas em -0,55% e -0,30%, respectivamente. A melhora, contudo, ainda é tímida diante da elevada incerteza fiscal e dos desafios que o governo enfrenta para cumprir a meta de resultado primário zero em 2025.
Fonte : Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo