O IBGE divulgou hoje o IPCA julho 2025

Economia

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (12/08/2025) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a julho de 2025. O índice cresceu 0,26% no mês, leve aceleração ante junho (0,24%). O resultado surpreendeu positivamente: a expectativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) era de 0,36%, igual à mediana do mercado.

O acumulado em 12 meses teve um leve aumento de 5,32% para 5,35%. Foi o sexto mês acima do topo da meta de inflação, de 4,5%, obrigando o Banco central a escrever uma carta explicando os motivos desse acontecimento. A média dos núcleos de inflação dos últimos 12 meses, medida usada pelo Banco Central para excluir itens mais voláteis, também aumentou, passando de 5,17% para 5,23%. Há uma desaceleração no crescimento desse indicador, um sinal positivo e que pode significar que a elevação da taxa Selic possa estar começando a surtir efeito.

A nota negativa do mês foi a inflação de serviços: apesar de leve queda no acumulado em 12 meses, permanece elevada, em 6,0% em julho. Já os serviços intensivos em trabalho, uma proxy para a inflação de salários, mantiveram-se estáveis em 5,9%. O mercado de trabalho segue aquecido, pressionando salários. No trimestre encerrado em junho, a taxa de desocupação medida pela PNAD Contínua foi de 5,8%, mínima da série. O rendimento dos trabalhadores cresceu 3,3% no ano. O Caged mostrou criação de 166 mil vagas formais em junho (abaixo das 175 mil esperadas), com 77 mil em serviços e 33 mil no comércio; o salário de admissão cresceu 1% na comparação com maio.

A inflação de bens industriais segue desacelerando. Foi o terceiro mês de queda, atingindo 3,3% em julho de 2025 na comparação interanual. Contribuíram a valorização do real frente ao dólar e a guerra comercial, que pode ter redirecionado para o Brasil parte do fluxo de produtos chineses antes destinados aos EUA.

A maior surpresa do mês foi o grupo Alimentação e bebidas, que recuou 0,27%, após queda de 0,18% em junho. Destacou-se a batata-inglesa (-20%). Esse grupo pode ser afetado pelas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Por ora, tanto a carne quanto o café brasileiros seguem sujeitos à tarifa de 50%, o que leva produtores a redirecionar parte da oferta para novos mercados, inclusive o interno, a maior oferta tende a aliviar preços. O governo segue negociando com os EUA para reduzir a tarifa; será preciso aguardar os desdobramentos para avaliar o efeito na inflação.

Outros dois grupos recuaram em julho: Vestuário (-0,54%) e Comunicação (-0,09%), influenciados pelos mesmos vetores que afetam bens industriais, valorização cambial e a guerra tarifária, dado que parte de seus itens integra esse agrupamento.

O destaque de alta foi novamente Habitação, responsável por metade (0,14 p.p.) do avanço do IPCA no mês. O principal fator foi a energia elétrica residencial (+3,04%), refletindo reajustes em concessionárias de algumas das principais capitais. Em julho vigorou a bandeira tarifária vermelha patamar 1; em agosto, está valendo a patamar 2, o que sugere novo aumento do custo de energia elétrica residencial na próxima divulgação.

Transportes registraram a segunda alta consecutiva (+0,27%), após dois meses de queda. As passagens aéreas (+19,92%) mais uma vez mais que compensaram o recuo dos combustíveis (-0,64%). Já Despesas pessoais (+0,76%) foram impulsionadas pela alta nos preços de jogos de azar (+11,17%).

A gasolina, item de forte peso no orçamento das famílias, caiu novamente no mês (-0,51%) e acumula alta de apenas 2,82% em 12 meses. Outro destaque positivo foi a queda de 0,56% nos preços de automóveis novos, que acumulam alta de 3,84% em 12 meses. Além da energia elétrica residencial (+3,04%), também subiram no mês aluguel (+0,39%) e empregados domésticos (+0,39%).

Fonte : https://app.rdstation.email/mail/4a14982e-9445-4aa9-ad08-91c76782f97c

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