O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou IPCA – Dezembro de 2025

Economia

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na sexta feira (09/01/2026), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de dezembro, fechando assim a inflação do ano passado. A alta no mês foi de 0,33%, terminando o ano em 4,26%, menor nível desde 2018. A inflação volta a ficar dentro do intervalo da meta de inflação, que vai até 4,50%. A última vez que isso tinha acontecido foi em 2023, quando o topo da meta era de 4,75% e a inflação fechou o ano em 4,62%. O resultado de dezembro veio abaixo da expectativa do mercado, que esperava variação de 0,36%, e acima do esperado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que esperava crescimento de 0,23%

Embora distante do centro da meta (3,0%), o resultado do ano foi considerado positivo. Em março de 2025, o mercado esperava que a inflação fecharia o ano acima de 5,6%. O forte recuo se deu principalmente por conta da valorização do real frente ao dólar e do recuo nos preços dos alimentos. O real teve sua maior valorização desde 2016, de 19,81% em 2025. Isso impacta diretamente o preço dos produtos importados, como bens industriais. Com o excelente desempenho da agropecuária nacional no ano passado, o grupo de alimentação e bebidas (o grupo com maior peso no indicador) subiu apenas 2,95% em 2025, contra um aumento de 7,7% em 2024.

Os bens industriais tiveram novo recuo, passando de alta acumulada em 12 meses de 2,4% em novembro para 2,3% em dezembro. Esse movimento foi visto desde abril, quando o governo americano começou a implementar tarifas de importação e iniciou-se um movimento global de enfraquecimento do dólar. Com a disputa comercial entre EUA e China, o Brasil passou a ser o destino de parte dos bens que antes eram exportados do país asiático, aumentando a oferta interna e consequentemente ajudando no controle dos preços. Esse movimento deve enfraquecer em 2026, visto que as duas superpotências chegaram a acordos comerciais, mesmo sendo temporários.

O grande ponto de atenção em 2025, e segue em 2026, é a inflação dos serviços, que fechou o ano em 6,0%, bem acima do topo da meta. No setor de serviços, a mão de obra representa boa parte dos custos, e vimos o mercado de trabalho aquecido, com o desemprego nas mínimas históricas (5,2% em novembro). A valorização dos salários fez a renda das famílias atingir níveis recordes em 2025.

Somente o grupo de habitação recuou (-0,33%) em dezembro, após alta de 0,52% em novembro. A bandeira tarifária da energia elétrica foi vermelha em novembro e passou para amarela em dezembro, fazendo o custo da energia elétrica residencial recuar 2,41% no mês e impactando fortemente o resultado do grupo. Apesar disso, a energia teve forte alta em 2025, subindo 12,3% no ano, sendo o subitem de maior impacto de todo o IPCA de 2025. A falta de chuvas foi a maior culpada, forçando o Brasil a adotar bandeiras tarifárias mais caras. Ainda dentro de habitação, tivemos o aluguel (6,0%) e o condomínio (5,1%) contribuindo para a alta de 6,79% do grupo em 2025.

O grupo de transportes foi o que mais cresceu em dezembro (0,74%), puxado pelo aumento do transporte por aplicativo (13,79%) e passagens aéreas (12,6%). Em dezembro, os táxis adotam bandeira 2, o que permite aos aplicativos subir suas tarifas. Os combustíveis ajudaram a conter o aumento, recuando 0,32% em dezembro. No ano, o aumento dos transportes foi modesto (3,07%), influenciado pela queda dos preços internacionais do petróleo (-19%) ao longo de 2025.

Artigos de residência foram a segunda maior alta (0,64%), após queda de 1% em novembro. Seguidos por saúde e cuidados pessoais (0,52%), que também recuaram (-0,04%) em novembro e vestuário (0,45%), que já tinha subido 0,44% no mês passado

Entre os itens de maior peso no indicador, os destaques do ano foram a energia elétrica, já comentada, o lanche (11,35%), o plano de saúde (6,42%) e o aluguel residencial (6,06%). Importante ressaltar que o grupo de alimentos e bebidas cresceu apenas 2,95%, apesar do forte aumento do lanche, indicando que a alimentação no domicílio (1,43%) foi o motor da desaceleração do grupo, após o expressivo aumento de 8,23% em 2024. Já o aumento dos planos de saúde reflete a autorização da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) de aumento de 6,42% para o ciclo que vai de maio de 2025 a abril de 2026.

Em janeiro, a CNC ficou novamente em primeiro lugar, junto com outras instituições do mercado financeiro, no ranking do Banco Central de previsão da taxa Selic. A entidade acredita que a autoridade monetária não vai baixar a taxa na primeira reunião de 2026, a ser realizada no dia 27. E acredita ainda que o ciclo de baixa da taxa será iniciado na reunião seguinte, em março

A Confederação espera crescimento de 0,41% em janeiro e de 3,8% em 2026.

Fonte :  Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)

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