A Pesquisa Mensal de Comércio referente a novembro foi divulgada hoje, 15 de janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em novembro, o comércio varejista restrito cresceu 1,0% em comparação com o mês de outubro. O resultado ficou significativamente acima das projeções do mercado, que esperava de alta de 0,2%, e acima das expectativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), cujas estimativas apontavam um crescimento de 0,4%.
Este foi o segundo resultado positivo consecutivo, que culminou na renovação do pico da série histórica do varejo restrito, reforçando a resiliência do setor no curto prazo. O desempenho favorável reflete, em parte, a sustentação do consumo corrente e a contribuição positiva de segmentos menos sensíveis às condições financeiras
Apesar desse avanço, o crescimento acumulado em 12 meses manteve trajetória de desaceleração, recuando de 1,7% em outubro para 1,4% em novembro, diminuindo perda gradual de dinamismo ao longo do ano. Esse movimento sugere que, embora os resultados recentes sejam positivos, o ritmo de expansão segue influenciado por um ambiente macroeconômico ainda restritivo. Na comparação com igual período do ano anterior, o volume de vendas registrou alta de 1,3%, sinalizando crescimento moderado, na comparação anual.
O comércio varejista ampliado apresentou alta de 0,7%. Em 12 meses, houve queda de 0,2%. A retração no varejo ampliado, no acumulado em 12 meses, está relacionada, em grande medida, à manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado, atualmente em 15% aa, após o início do ciclo de juros no fim de setembro de 2024. Esse ambiente de empréstimos restritivos segue a instrução do custo do crédito.
Nesse contexto, segmentos como veículos e materiais de construção, que integram o indicador de varejo ampliado, continuam apresentando desempenho mais fraco, uma vez que respondem de forma mais imediata às condições financeiras. A demanda por bens mantidos permanece contida pelo encarecimento do crédito ao consumidor, limitando a capacidade de recuperação desses setores e contribuindo para o resultado negativo do índice.
O principal grupo de varejo restrito, formado por hipermercados e supermercados e responsável por quase metade do volume total do setor, apresentou estabilidade no mês. Esse resultado está associado ao comportamento contido dos preços de alimentos e bebidas, que registraram leve recuo de 0,01% no IPCA de novembro. A ausência de pressão inflacionária contribuiu para a manutenção do volume de vendas
O volume de combustíveis e investimentos registrou crescimento de 0,6% em novembro, na comparação com outubro, na série com ajuste sazonal, mantendo trajetória positiva após a alta observada no mês anterior. O desempenho ocorreu em ambiente de intervalo pontual de preços, com recuo de 0,32% no subitem combustíveis para veículos no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, após altas de 0,87% em setembro e 0,32% em outubro. Ainda assim, na comparação interanual, o setor apresentou retração de 1,3%, evidenciando a perda de fôlego do segmento, que segue altamente sensível às oscilações de preços e às condições de demanda.
Sete dos oito grupos do varejo restritos serão avaliados com taxas positivas. Os destaques positivos foram os setores de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+4,1%), móveis e eletrodomésticos (+2,3%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+2,2%). O desempenho expressivo do grupo de equipamentos de informática foi favorecido por uma nova rodada de deflação dos preços de bens industriais, com queda de 2,28% no subitem TV, som e informática, em novembro. Essa dinâmica reflete tanto a ampliação da oferta de produtos importados, em meio aos desdobramentos da guerra comercial entre China e Estados Unidos, que têm redirecionado parte da produção para o mercado brasileiro, quanto a apreciação cambial acumulada ao longo de 2025, com valorização do real frente ao dólar.
No varejo ampliado, tanto o segmento de veículos, motocicletas, peças e peças (+3,0%) quanto o de materiais de construção (+0,6%) registraram nova expansão em outubro. No caso do setor automotivo, o avanço reflete a recomposição da demanda após meses de oscilação, impulsionada por um aumento da confiança dos consumidores. Além disso, a aproximação do período sazonalmente aquecido de fim de ano tende a estimular decisões de compra que foram postergadas. Ainda que o crédito permaneça seletivo e as taxas de financiamento continuem elevadas, o movimento de venda tem sido favorecido por estratégias mais agressivas de supervisão e montadas, além da ampliação de prazos e condições especiais de pagamento no fim do ano.
O único resultado negativo do comércio restrito foi no setor de tecidos, vestuário e calçados (-0,8%). Embora a Black Friday tenha impulsionado volumes em segmentos de bens protegidos, o consumo de vestuário permanece mais condicionado à renda disponível e ao elevado endividamento das famílias, limitando as estratégias promocionais
No varejo ampliado, o volume de vendas cresceu 0,7% em novembro frente a outubro. O setor de materiais de construção avançou 0,8% no mês, enquanto veículos, motocicletas, peças e peças registradas tiveram recuo (-0,2%). O comportamento do setor automotivo segue condicionado ao ambiente de juros restritivo, com taxas de juros elevados e crédito seletivo, o que limita a transmissão das reduções de preços observados em alguns subitens, como carros usados, cujo IPCA acumulado em 12 meses manteve variação negativa de 1,74% em novembro, para o volume efetivo de vendas
Para o próximo mês, a CNC espera crescimento de 0,2% na série de varejo restrito com ajuste sazonal e de 2,31% no acumulado de 2025
Fonte : Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)