O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reúne-se, nesta quarta-feira (30/07), para deliberar sobre a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, atualmente em 15,00% ao ano. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta manutenção da taxa nesse valor até o fim do ano. Diferentemente da última reunião, esta acontece em meio a grande consenso do mercado sobre a estabilidade da taxa básica de juros da economia. Isso acontece, principalmente, por conta de dois motivos: (i) um comunicado claro do Comitê na última ata afirmando que a taxa permanecerá alta em período necessário para convergência da inflação; e (ii) dados de atividade e inflação começando a mostrar sinais de arrefecimento da economia. As expectativas de inflação para o fim deste ano, medidas pelo Focus, estão em viés de queda há nove semanas. Em relação há quatro semanas, a expectativa dos agentes para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no fim de 2025 foi de 5,20% para 5,09%, ao passo que o PIB (Produto Interno Bruto) foi de 2,21% para 2,23%. Em relação à inflação, apesar de continuar em patamar elevado, a composição do índice começa a apresentar sinais de melhora qualitativa. Entre os motivos, podemos citar a desaceleração da inflação de alimentos, principalmente da alimentação dentro de casa, um começo de desaceleração da inflação de serviços e dos bens industriais. O IPCA-15 mostrou que tanto serviços como bens industriais estão em ritmo de queda, o que contribuiu para que a média dos núcleos de inflação acompanhados pelo Banco Central tenha ficado em 4,2%. A queda da inflação de alimentos acontece em meio às incertezas da taxação dos Estados Unidos sobre o Brasil. A princípio, essa taxação aumentaria a oferta interna de alimentos, contribuindo para a queda de preços. Contudo, isso só acontecerá caso os exportadores não consigam remanejar vendas feitas aos EUA para outros países. A CNC espera que a inflação de julho seja de 0,26% e para o fim do ano seja de 4,8%. O gráfico abaixo mostra a média móvel de três meses dos indicadores de atividade medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É possível notar que o crescimento da economia foi puxado pelo setor de serviços e comércio, com ambos se mostrando resistentes aos aumentos da taxa de juros básica da economia.
Tanto a série de comércio quanto a de serviços estão em seu topo histórico na média móvel trimestral. Esse resultado é fruto de uma demanda interna aquecida, refletindo a solidez do mercado de trabalho brasileiro em 2024 e 2025. Contudo, pode-se notar que, no fim das séries, há um leve achatamento nas três curvas, o que indica início de desaceleração da economia.
Em relação ao cenário externo, a taxa de 50%, indicada inicialmente pelo governo norte-americano a todos os itens exportados pelo Brasil, gera incertezas. Não há como saber qual será o efeito líquido na inflação, a princípio. O governo já afirmou que, caso a negociação não aconteça, implementará medidas para coibir efeitos negativos na produção e emprego nos setores internos mais atingidos. Além disso, houve acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos. Isso pode, no futuro, prejudicar o acordo entre União Europeia e Mercosul, por conta de maior competividade que os produtos sul-americanos poderão enfrentar na Europa.
Com isso, a CNC acredita que o Copom vai manter o patamar atual da Selic em 15% ao ano. A taxa deve permanecer nesse patamar até o fim do ano. A ata da decisão deve reforçar que as decisões futuras continuarão sendo tomadas de acordo com a evolução dos indicadores econômicos e que ela vai permanecer em patamar restritivo por tempo suficiente para que a inflação convirja para a meta.
Fonte : https://portaldocomercio.org.br