Preço do café dispara 116% em cinco anos e impacta consumo

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O consumo de café no Brasil diminuiu 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Para o diretor executivo da entidade, Celírio Inácio, a retração reflete um cenário impactado pela alta nos preços, gerada pelo aumento da matéria-prima e por problemas climáticos. Isso fez o consumidor passar a escolher momentos para tomar café, reduzir o desperdício da bebida e, consequentemente, comprar menos. “Durante muitos anos, pelo menos nas últimas duas décadas, o consumidor se acostumou com um determinado preço do café torrado e moído. Diante de uma grande evolução de preços, isso saiu, a princípio, fora da questão matemática de quem está comprando o café. Primeiro, teve o susto do consumidor e, depois, uma certa retração, onde se começava a escolher um bom momento para se beber café”, comenta o dirigente, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News.

Conscientização do consumo

  De acordo com a ABIC, não faltou café nas casas dos brasileiros, mas eles compravam o produto apenas quando acabava, e não mais antes de a bebida faltar. “E essa conscientização de um produto que está apertando um pouco mais o bolso fez com que não tivesse desperdício. Aquela máxima de ‘o café está frio, vamos jogar fora e fazer outro’ não existe mais”, explica Celírio. O Brasil segue na posição de segundo maior consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com uma diferença de aproximadamente 5 milhões de sacas. No entanto, na comparação entre o consumo per capita do Brasil com o dos EUA, o valor brasileiro é superior, chegando a 6,02 kg por habitante no ano, considerando o café cru, contra 4,9 kg/hab no mercado estadunidense. O brasileiro consumiu, em média, 1.400 xícaras em 2025.

Preços no varejo

  Nos últimos cinco anos, o preço do café torrado e moído no varejo disparou 116%. Em 2025, a variação de preço ao consumidor foi de 5,8% e, em 2024, o aumento atingiu 37,4%. Esta foi a maior alta da cesta básica, visto que açúcar (-13,3%), arroz (-31,1%), feijão (-14,3%) e leite (-4,9%) tiveram quedas, e somente o óleo de soja (+1,2%) registrou alta. Devido ao aumento do preço do café na gôndola, o faturamento da indústria de café torrado alcançou R$ 46,24 bilhões no ano passado, com variação positiva de 25,6%. Os supermercados representam de 80% a 90% das vendas de café torrado e moído, que está presente em 98% dos lares brasileiros. Para 2026, as expectativas são de safra boa e clima mais estável, o que poderá favorecer um mercado mais equilibrado e sem maiores variações de preço do café na gôndola. “Se houver maior safra, também haverá um arrefecimento de preço, porque vai ter um pouco mais de oferta.”

Tendências de consumo

  O mercado observa, atualmente, uma “sede” por conhecimento sobre café. “Isso faz com que as pessoas queiram experimentar novos estilos de café. No último ano, mesmo com uma pequena redução do consumo, o que subiu foram exatamente aqueles cafés que têm um pouco mais de cuidado com seus grãos e valor agregado até maior”, complementa o diretor executivo da ABIC. Com padrões de nuances sensoriais, rastreabilidade e sustentabilidade, os produtos certificados no estilo “Especial” pela associação cresceram mais de 300%, entretanto, eles ainda correspondem a um nicho de mercado de pequeno impacto, representando 1% do volume total no varejo. 

  Outra tendência da categoria é o consumo cada vez maior por jovens. Se antes o consumo era restrito ao trabalho, agora até encontros são marcados em cafeterias. “Um público que não era atingido diretamente pelo café, agora já está sendo atingido.” Além disso, há movimentos de inserir a bebida em receitas culinárias e adesão a produtos para consumo individual, como drip coffee e cápsulas, visto que as famílias estão menores e não querem desperdício. “Então tudo isso leva a crer que vai haver sim um aumento de consumo de café, e de café mais qualificado”, conclui Celírio Inácio.

Fonte : https://gironews.com/informacoes-de-fornecedores/preco-do-cafe-dispara-116-em-cinco-anos-e-impacta-consumo/

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