Números mostram que agropecuária puxou queda da atividade em julho. Na parcial do ano e em doze meses até julho, indicador avançou 1,5%.
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta quarta-feira (16), mostrou recuo de 0,2% em julho, na comparação com o mês anterior.
O cálculo é feito após ajuste sazonal — ou seja, uma forma de comparar períodos diferentes.
- O resultado representa melhora em relação a junho, quando houve contração de 0,9% no indicador.
- Esse foi o segundo mês de queda do indicador, segundo o Banco Central.
Veja abaixo o desempenho setor por setor em julho:
- agropecuária: recuou de 1,2%;
- indústria: queda de 0,4%;
- serviços: estabilidade.
Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Na parcial do ano, o indicador avançou 1,5% e, em 12 meses até julho, teve aumento também de 1,5%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma metodologia diferente (veja mais abaixo nessa reportagem).
Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem estar social.
Ano eleitoral
Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços.
A equipe econômica zerou, por exemplo, a tributação do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, além de ter liberado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e linhas de crédito mais baratas para a população.
A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias.
Na ata da última reunião do Copom, divulgada em agosto, o BC informou que o chamado “hiato do produto” segue positivo.
Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação.
O mercado financeiro acredita em desaceleração da economia no ano de 2026 fechado. A projeção dos analistas é de uma expansão de cerca de 1,89% em 2026, contra um crescimento de 2,3% no ano passado.
PIB X IBC-Br
Os resultados do IBC-Br são considerados a “prévia do PIB”. Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE).
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria mais pressão inflacionária, o que poderia contribuir para conter a queda dos juros.