A qualidade de vida deixou de ser um benefício complementar e passou a ocupar papel central na estratégia empresarial. Essa foi uma das principais conclusões do encontro “O impacto da qualidade de vida nos negócios e na sociedade”, promovido em 26 de fevereiro pelo Comitê de Segurança e Medicina do Trabalho do Sincovaga-SP, que reuniu empresários, gestores e profissionais de saúde ocupacional para discutir os desafios da nova NR-1 e os impactos da saúde mental na sustentabilidade corporativa.
A palestra foi conduzida pelo presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), Dr. José Antonio Coelho, que alertou para a necessidade de mudança de postura das empresas diante do novo cenário regulatório e econômico. “A gestão da saúde mental deixou de ser diferencial competitivo. Ela passou a ser requisito estrutural para a longevidade das organizações”, afirmou.
Um dos principais pontos abordados foi a atualização da NR-1, que, a partir de 26 de maio de 2026, exigirá a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Segundo o especialista, “não se trata apenas de cumprir uma norma, mas de estruturar políticas preventivas sólidas, com mapeamento adequado e documentação consistente, especialmente em casos de afastamentos relacionados a fatores externos”.
Durante a apresentação, foram destacados dados preocupantes sobre o cenário da saúde corporativa. Atualmente, os custos com planos de saúde empresariais representam quase 15% da folha de pagamento em alguns setores econômicos, enquanto a inflação médica cresce em ritmo cerca de 2 a 2,5 vezes superior à inflação geral. “A saúde mental é hoje um dos principais vetores de crescimento desses custos. E o sistema ainda é excessivamente analógico, com falhas estruturais e desperdícios”, observou o médico.
Para ele, as empresas precisam deixar de atuar apenas como contratantes de operadoras de saúde e assumir papel ativo na gestão preventiva. “Organizações que investem em promoção da saúde geram retorno até três vezes maior aos acionistas. Prevenção não é custo, é investimento estratégico”, destacou.
Outro eixo do debate foi o impacto da automação e da inteligência artificial na área médica. O palestrante chamou atenção para os riscos de desumanização e para a pressão sobre profissionais de saúde. “Tecnologia é fundamental, mas precisa estar equilibrada com humanização. Modelos de incentivo mal estruturados podem ampliar o adoecimento”, afirmou.
A convivência entre cinco gerações no ambiente de trabalho também entrou na pauta. Segundo o especialista, o problema não está na diversidade etária, mas na forma como as empresas se comunicam. “Baby Boomers, Geração X e Y têm perfil menos tecnológico; já as gerações Z e alpha são digitais e mais sensíveis a fatores estressores. A oportunidade está na adaptação dos mecanismos de comunicação, proteção e da cultura organizacional.”
Entre os fatores de risco psicossocial citados estão estresse social, turnos noturnos, hábitos alimentares inadequados, endividamento, uso excessivo de dispositivos eletrônicos e o crescimento de diagnósticos de transtornos cognitivos. “É fundamental separar riscos internos de fatores externos e garantir transparência institucional, com clareza na descrição de cargos e processos”, orientou.
O encontro foi encerrado com o reforço de que qualidade de vida deve ser tratada como pilar estratégico da sustentabilidade empresarial. “Empresas que não estruturarem políticas claras de prevenção estarão mais expostas a riscos jurídicos, financeiros e reputacionais. Cuidar das pessoas é, hoje, uma decisão de negócio”, concluiu o especialista.
O evento integra as ações do Comitê de Segurança e Medicina do Trabalho, uma iniciativa do Sincovaga-SP, que reúne atualmente mais de 820 profissionais das empresas do segmento do varejo alimentar, contando com o apoio da Associação Brasileira de Ergonomia e Fatores Humanos (ABERGO) e da Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABRESST). O objetivo é oferecer informação qualificada e promover boas práticas de gestão em saúde ocupacional, contribuindo para a prevenção de acidentes e para a sustentabilidade das empresas do setor.
Mais informações: (11) 3335-1100, (11) 99482-2320 ou no site www.comite.sincovaga.com.br
Crédito foto: Divulgação
Fonte : Thais Abrahão – Presstalk Comunicação