O varejo brasileiro atravessa um período de maior pressão sobre as margens, juros elevados e consumidores mais cautelosos, segundo matéria publicada no jornal Valor Econômico desta terça-feira, 22/09. Nesse cenário, grandes redes internacionais vêm ampliando a disputa por participação de mercado com empresas nacionais, que enfrentam desafios relacionados à rentabilidade, custos e recuperação das vendas.
A análise mostra que o desempenho das companhias varia de acordo com o segmento e a estratégia adotada. No setor de supermercados, o Carrefour vem apresentando resultados superiores aos do Grupo Mateus. Entre janeiro e junho, as vendas do Carrefour cresceram 0,9% na comparação anual, enquanto o Mateus registrou avanço de 5,7% em suas vendas no trimestre mais recente, mas enfrenta um ambiente considerado mais desafiador.
Segundo a reportagem, as inaugurações de novas lojas também têm contribuído para movimentar os resultados. O Carrefour manteve praticamente estáveis as vendas nas mesmas lojas no acumulado do ano, enquanto o Mateus registrou crescimento de 7,7% nessa comparação.
Para analistas, parte das dificuldades enfrentadas pelo varejo está relacionada ao cenário econômico e à necessidade de equilibrar expansão, investimentos e rentabilidade. A avaliação é de que as empresas precisam adotar estratégias mais seletivas para atravessar um ambiente de consumo menos previsível.
Oxxo mantém ritmo de expansão
No segmento de lojas de proximidade, a rede mexicana Oxxo vem apresentando crescimento mais acelerado que o GPA. Controlada pela mexicana Femsa, a companhia já ultrapassou a marca de 1 mil lojas no país e continua avançando em sua estratégia de expansão.
No primeiro trimestre, a Oxxo registrou crescimento de 6,9% no Brasil e, no segundo trimestre, avançou 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho contrasta com os desafios enfrentados por outras empresas do varejo alimentar.
A estratégia da companhia inclui a abertura de novas unidades e a aposta no modelo de proximidade, que busca atender consumidores em compras rápidas e recorrentes.
Leroy Merlin enfrenta cenário de vendas estáveis
No varejo de materiais de construção, o cenário é diferente. A francesa Leroy Merlin registrou vendas consideradas estáveis em 2025 e, no primeiro semestre deste ano, apresentou queda de 0,8% até junho, segundo dados citados pelo IBGE.
O desempenho ocorre em um mercado afetado pela redução do consumo de materiais de construção. A reportagem destaca que a demanda segue condicionada pelo ambiente econômico, enquanto as empresas procuram preservar margens e ajustar custos.
A Leroy Merlin também vem adotando medidas para melhorar a eficiência operacional e adaptar sua estratégia ao comportamento dos consumidores. Entre as iniciativas estão ajustes no número e no formato das lojas e maior atenção à produtividade.
Competição se intensifica
A movimentação das redes estrangeiras ocorre em um momento de transformação do varejo brasileiro. Enquanto algumas companhias ampliam rapidamente sua presença física, outras priorizam eficiência, redução de despesas e revisão de investimentos.
Na avaliação apresentada na reportagem, a combinação entre expansão das redes de proximidade, mudanças no comportamento do consumidor e pressão sobre custos deve manter elevada a competição entre grupos nacionais e estrangeiros.
O cenário reforça a necessidade de estratégias diferentes para cada segmento do varejo, especialmente diante de um consumidor mais atento a preços e de empresas que precisam conciliar crescimento com rentabilidade.