A matéria publicada hoje, 09/06, no jornal Valor Econômico, assinada por Anaïs Fernandes, aborda os possíveis impactos da adoção de uma nova jornada semanal de trabalho de 36 horas no Brasil, com base em estudo realizado por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). A conclusão central é que os trabalhadores mais escolarizados serão os principais beneficiados pela mudança, enquanto os menos qualificados, que já cumprem jornadas mais curtas, sentirão menos efeitos diretos.
Atualmente, a média da jornada semanal no Brasil é de 38,4 horas. No entanto, trabalhadores com ensino superior completo ou mais já possuem uma jornada próxima a 40 horas, enquanto aqueles com ensino fundamental incompleto já trabalham, em média, por cerca de 36 horas semanais — ou seja, a proposta teria impacto limitado sobre os menos escolarizados.
Os pesquisadores, liderados por Barbosa Filho e Guilherme Zimmermann, calcularam que a redução para 36 horas pode representar uma perda de até 6% no valor adicionado da economia, afetando principalmente setores como transporte (-12,6%), extrativa (-12,2%) e comércio (-8,6%). Já serviços como educação, saúde e administração pública seriam menos impactados devido à menor carga horária já existente.
O estudo revela ainda um efeito desigual na produtividade e nos salários: para trabalhadores com ensino superior, a redução da jornada seria acompanhada de um aumento de produtividade. Contudo, o mesmo não se aplicaria aos menos qualificados, gerando um desequilíbrio adicional no mercado de trabalho. Segundo Zimmermann, “salários crescem acima da produtividade dos trabalhadores” neste cenário.
A proposta, segundo os autores, precisa ser discutida com cautela, considerando os diferentes impactos setoriais e sociais. Em setores intensivos em mão de obra, como o comércio e a indústria extrativa, a medida pode gerar mais custos do que benefícios. Já para setores com trabalhadores mais qualificados, a redução pode favorecer o bem-estar e a produtividade, além de alinhar o Brasil às práticas de países desenvolvidos.
Por fim, os pesquisadores ressaltam que, embora desejável do ponto de vista social, a implementação da jornada de 36 horas exigirá adaptações importantes por parte das empresas e políticas públicas que mitiguem os efeitos negativos sobre a economia e o emprego.
A matéria na íntegra pode ser acessada pelo link: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2025/06/09/trabalhador-qualificado-sera-maior-beneficiado-por-reducao-de-jornada-diz-estudo.ghtml