O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, afirmou que a redução da jornada de trabalho no Brasil é uma medida necessária para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas destacou que a mudança precisa ser construída por meio do diálogo com o setor empresarial. A declaração foi dada em entrevista à revista Veja Negócios.
Segundo Patah, a proposta em debate no Congresso Nacional prevê a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas e a limitação da escala de trabalho a cinco dias por semana, substituindo o modelo conhecido como “6×1”, no qual o trabalhador descansa apenas um dia.
O dirigente sindical reconheceu que a alteração pode gerar impactos financeiros para empresas, principalmente as de pequeno porte, mas afirmou que o movimento sindical está disposto a discutir mecanismos de transição e possíveis exceções para setores específicos. “Não queremos quebrar as empresas e estamos abertos ao diálogo”, declarou.
Patah também destacou que algumas companhias já começaram a adotar espontaneamente escalas de cinco dias trabalhados para dois de descanso. Entre os exemplos citados estão empresas do varejo e do setor farmacêutico, além da chegada da rede sueca H&M ao Brasil já operando com o modelo 5×2.
De acordo com ele, a dificuldade de contratação enfrentada por diversos segmentos, especialmente o comércio, tem levado empresas a repensarem a jornada tradicional. O sindicalista afirmou que muitos jovens evitam vagas com escalas consideradas excessivas e salários baixos.
Na entrevista, o presidente da UGT também criticou a desigualdade entre categorias profissionais e defendeu que a discussão sobre jornada de trabalho deve envolver toda a sociedade. Ele afirmou que comerciários convivem com rotinas exaustivas e pouco tempo para a vida pessoal e familiar.
Patah ainda ressaltou que, embora considere a negociação coletiva o cenário ideal para definir jornadas e escalas, entende que atualmente há desequilíbrio nas relações entre capital e trabalho, especialmente após a reforma trabalhista de 2017, que, segundo ele, enfraqueceu financeiramente os sindicatos.
Fonte: Revista Veja Negócios, entrevista de Juliana Elias publicada em 5 de maio de 2026.