Varejo inicia 2026 em retração e registra pior janeiro desde a pandemia

Economia

O varejo brasileiro iniciou 2026 em retração, com queda de 1,5% em termos reais em janeiro, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O resultado considera o índice deflacionado, sem ajuste de calendário, e representa a menor variação para o mês de janeiro desde o período da pandemia de covid-19, quando o consumo foi impactado por choques externos e o setor recuou 12,6% em janeiro de 2021.

Em termos nominais, o faturamento do varejo cresceu 1,3%, sem ajuste de calendário, mas ficou próximo da estabilidade quando considerado o ajuste (-0,3%). Ao descontar a inflação, a retração se aprofunda: o ICVA deflacionado, com ajuste de calendário, recuou 3,1%, posicionando janeiro de 2026 entre os meses mais fracos da série histórica do indicador em termos reais.

“Janeiro começou de forma mais contida, refletindo um consumidor seletivo e atento às prioridades. O varejo físico ajudou a sustentar o mês, enquanto o digital desacelerou. Os setores essenciais mantiveram estabilidade, e Turismo e Transporte se destacaram pelo efeito das férias. O momento exige foco e direção estratégica para que os varejistas possam conquistar espaço mesmo em um ambiente mais desafiador”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo.

O desempenho do mês reflete um início de ano marcado por um consumo mais cauteloso e seletivo. O varejo físico apresentou crescimento nominal de 2,1%, ajudando a suavizar o resultado geral, enquanto o e-commerce recuou 1,5%. O movimento indica maior peso das compras presenciais ligadas à reposição e à rotina, além de uma base de comparação mais desafiadora para o canal digital após o forte avanço observado em anos anteriores.

O cenário foi especialmente desfavorável para o consumo de bens duráveis e semiduráveis, que registraram queda real de 5,4% em janeiro. Com o orçamento pressionado por despesas fixas e sazonais típicas do início do ano, como impostos, mensalidades escolares e reajustes de serviços, as famílias priorizaram itens essenciais. Em contraste, o macrossetor de bens não duráveis apresentou crescimento real de 0,7%, impulsionado principalmente por supermercados e hipermercados.

O macrossetor de serviços também seguiu pressionado, com retração real de 3,9% no mês. Apesar do desempenho positivo de turismo e transporte, favorecido pelo período de férias, o resultado foi impactado negativamente por alimentação, como bares e restaurantes, segmento ainda pressionado por custos elevados e repasses de preços, mesmo em um ambiente de inflação mais controlada.

Fonte : https://mercadoeconsumo.com.br/09/02/2026/noticias/varejo-inicia-2026-em-retracao-e-registra-pior-janeiro-desde-a-pandemia/?utm_medium=email&utm_campaign=fechamento_diario_-_0902&utm_source=RD+Station

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