Escala 5×2 em supermercados é questionada por entidade do setor, que propõe alternativa com jornada flexível
A implementação da escala 5×2 em supermercados entrou no centro de um debate entre representantes do setor e o governo federal.
A Abras (Associação Brasileira de Supermercados) defende alternativas ao modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso em caso do fim da escala 6×1.
O presidente da entidade, João Galassi, enviou mensagem ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, solicitando uma reunião para discutir o tema e apresentar propostas que possam substituir ou complementar o novo formato de jornada.
Entre as alternativas está o apoio à chamada “PEC do horista”, proposta que prevê maior flexibilidade na organização do trabalho e na escolha do regime por parte dos próprios empregados. As informações são da Folha de S. Paulo.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2025, de autoria do deputado Mauricio Marcon (Podemos-RS), altera o artigo 7º da Constituição e permite que o trabalhador opte entre o modelo tradicional da CLT ou um regime baseado em horas trabalhadas.
O que propõe o setor sobre a escala 5×2 em supermercados?
A discussão sobre a escala 5×2 em supermercados envolve principalmente o impacto operacional e financeiro para empresas, especialmente as de menor porte.
Segundo João Galassi, a criação de uma alternativa ao modelo atual é essencial para manter a viabilidade do setor.
“Nós queremos uma segunda opção além da que temos hoje. Além do modelo mensalista, queremos o horista”, afirma Galassi à Folha de S.Paulo, em entrevista concedida no evento Smart Market Abras.
O dirigente também destacou que a proposta pode representar um equilíbrio entre flexibilidade e produtividade.
“Se nós mantivermos as 44 horas no modelo 5×2, com o incremento da PEC do horista, vamos fechar esse assunto com a satisfação lá em cima”, diz.
Impactos para pequenas redes e trabalhadores
Um dos principais pontos de preocupação relacionados à escala 5×2 em supermercados é o efeito sobre pequenos estabelecimentos, que operam com equipes reduzidas.
De acordo com Galassi, a mudança pode comprometer a estrutura dessas empresas.
“Quebra os pequenos que não têm mais que três ou quatro funcionários por seção”, diz.
Outro ponto levantado pelo setor é a proposta de redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, considerada inviável por parte das redes supermercadistas.
“Não concordamos em reduzir o número de horas de 44 para 40 porque não fecha a conta, principalmente para os pequenos.”
Essas práticas, no entanto, estão sob análise do Ministério Público do Trabalho (MPT), que acompanha possíveis impactos nas relações trabalhistas.
A proposta segue em discussão e ainda depende de avanços no Congresso Nacional e de alinhamento entre governo, empresas e representantes dos trabalhadores para eventual implementação.
Fonte : https://ndmais.com.br/economia/negocios/escala-5×2-em-supermercados-setor-propoe-jornada-flexivel