Boletim Focus: O IPCA de 2026 foi novamente revisado para cima, de 5,09% para 5,11%

O IPCA de 2026 foi novamente revisado para cima, de 5,09% para 5,11%, e a mediana de 2027 passou de 4,02% para 4,03%, enquanto 2028 cedeu de 3,66% para 3,65%. A combinação sugere que a preocupação do mercado segue concentrada no período mais próximo da política monetária, sem contaminar de forma homogênea todo o horizonte. A leitura é compatível com um quadro de inflação corrente ainda desconfortável: mesmo com o IPCA-15 de maio menor na comparação mensal, o acumulado em 12 meses avançou para 4,64%, mantendo as expectativas acima da meta.

Para o PIB, a projeção para 2026 avançou de 1,90% para 1,91%, enquanto 2027 permaneceu em 1,70% e 2028 em 2,00%. A revisão marginal ocorre em meio a dados de atividade ainda favoráveis: a produção industrial cresceu 0,7% em abril, quarta alta consecutiva, acumulando avanço de 4,4% nesse período. O resultado reforça a leitura já trazida pelo PIB do primeiro trimestre, que cresceu 1,1% com alta em Agropecuária, Indústria e Serviços, embora o Focus siga apontando crescimento moderado nos anos seguintes.

Já para o câmbio, a mediana de 2026 recuou de R$/US$ 5,16 para R$/US$ 5,15, a de 2027 caiu de R$/US$ 5,25 para R$/US$ 5,20 e a de 2028 permaneceu em R$/US$ 5,30. A revisão para baixo ocorre apesar de uma semana de maior aversão ao risco, na qual o dólar voltou a subir acima de R$ 5,06 diante de tensões no Oriente Médio e preocupações com novas tarifas dos Estados Unidos. O ajuste do Focus parece refletir um balanço ainda favorável para o real no médio prazo, apoiado pelo superávit comercial de maio e pelo diferencial de juros doméstico.

A mediana da Selic para 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, a de 2027 avançou de 11,25% para 11,50% e a de 2028 permaneceu em 10,00%. A revisão indica nova reprecificação de juros mais altos por mais tempo, em resposta à piora das expectativas de inflação e à elevação do IPCA-15 acumulado em 12 meses. O cenário externo também adiciona cautela, com dólar mais pressionado, petróleo em alta e riscos associados a comércio e geopolítica, fatores que reduzem o espaço para uma flexibilização monetária mais rápida.

No resultado primário, a projeção para 2028 piorou de -0,22% para -0,23% do PIB, enquanto 2026 e 2027 permaneceram estáveis em -0,50% e -0,40% do PIB. A deterioração marginal no horizonte mais longo contrasta com resultados fiscais recentes melhores na margem, como o superávit primário de R$ 25,2 bilhões do Governo Central em abril e a arrecadação de R$ 279,5 bilhões no mês. Ainda assim, o déficit acumulado em 12 meses pelo setor público consolidado mantém a percepção de cautela quanto à consolidação estrutural das contas públicas.

Fonte : portaldocomercio.org.br

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