Pedro Tavares é motorista de aplicativo há quatro anos e trabalha principalmente no horário de pico para entrega, de 12h às 15h, e quando questionado se utiliza o equipamento de proteção ao sol, ele é categórico. “Eu uso todos os equipamentos para proteção solar, luva, camisa térmica UV, calça, sapato, porém às vezes esqueço de me hidratar bastante”, confessa.
Em altas temperaturas, como a que estamos vivendo agora, a hidratação é fundamental para suportar o calor e estar sempre com água no corpo, assim como o uso de protetor solar. O motorista de aplicativo conta que às vezes, a esposa recomenda que ele utilize, e tem consciência da importância de proteger a pele dos fortes raios. “Eu sei que infelizmente tem muito entregador que roda por aí de bermuda, de sandália, de camiseta regata, então isso pode acabar ocasionando um câncer de pele, uma insolação, é algo que pode vir mesmo prejudicar a saúde deles e levar até a morte. Eu, por exemplo, neste período quente, sinto tontura, a garganta seca…Nós esquecemos, ficamos naquela adrenalina, uma rota ali, outra ali e aí não lembramos de tomar água, de se hidratar, sentimos sede, e bate uma tontura, corpo mole”, relata o profissional autônomo.
O que Pedro vive é a rotina dos mais dos 1263 associados da Associação de Moto e Bike Aplicativo APP Duas Rodas da região metropolitana de Belém, que abrange os municípios de Belém, Ananindeua e Marituba. O presidente da Associação, Rômulo Paixão, orienta os associados. “Nós estamos preocupados com essa questão de altas temperaturas e orientamos aos nossos associados quanto ao cuidado à saúde, que usem protetor solar, camisas térmicas e se previnam, bebam bastante água frequentemente, porque a temperatura está prejudicando muito os entregadores, principalmente os que passam dia a dia na rua, que dependem do aplicativo, começam a trabalhar oito da manhã e param às 23 horas”, observa.
Ele ressalta o choque térmico que todos nós enfrentamos. “Nós estamos no calor e entramos no ar condicionado e enfrentamos o choque térmico e chegamos em casa com o corpo mole, febre, dor no corpo e aí tem que ficar de repouso, porém muitos trabalhadores vão trabalhar assim mesmo pelo fato de depender daquele aplicativo” detalha Rômulo Paixão.
Soluções práticas e sustentáveis
O TRT-8 instalou no prédio sede um Ponto de Apoio ao motorista de aplicativo que oferece um espaço para descanso, um local para abastecer água gelada e utilização do banheiro. Em breve, no mês de outubro será inaugurado um bicicletário móvel, informa o desembargador do TRT-8 e gestor regional do Programa Trabalho Seguro, Paulo Isan Coimbra Júnior.
O desembargador destaca que os trabalhadores que estão mais expostos às mudanças climáticas, são aqueles que executam às atividades à ceu aberto, trabalhadores rurais, da construção civil, das feiras livres e os motoristas de aplicativos. Ele ressalta que todo o trabalhador deve ter direito ao ambiente seguro e saudável, o meio ambiente dele não pode ser causa de adoecimento, daí decorre o primeiro dever da empresa. “Se o calor se tornou um risco ambiental, e de fato se tornou, a empresa deve fazer a gestão desse risco. Então, tem que verificar quais os melhores horários para trabalhar, as melhores vestes para se utilizar, fazer pausa para hidratação,se há repouso térmico, se a água é suficiente”, pontua.
Em relação às recomendações, o desembargador Paulo Isan Coimbra orienta a toda sociedade que primeiro se evite a exposição no momento de maior calor, se não puder evitar se proteja e sempre bem hidratado, com roupas apropriadas, leves, usando sombrinhas e passando filtro solar. “Nós, enquanto sociedade, podemos reorganizar a nossa cidade, reorganizar as nossas vidas, para se tornar cidades mais confortáveis do ponto de vista térmico, mais sustentáveis, cidades mais verdes, com transportes coletivos mais eficientes, cidades que emitam menos gases do efeito estufa na atmosfera. Nós temos que nos adaptar e trabalhar fortemente na mitigação”, finaliza o desembargador.
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 8ª Região Pará e Amapá, 08.09.2026
Os artigos reproduzidos neste clipping são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, o posicionamento de Granadeiro Advogados.
Pedro Tavares é motorista de aplicativo há quatro anos e trabalha principalmente no horário de pico para entrega, de 12h às 15h, e quando questionado se utiliza o equipamento de proteção ao sol, ele é categórico. “Eu uso todos os equipamentos para proteção solar, luva, camisa térmica UV, calça, sapato, porém às vezes esqueço de me hidratar bastante”, confessa.
Em altas temperaturas, como a que estamos vivendo agora, a hidratação é fundamental para suportar o calor e estar sempre com água no corpo, assim como o uso de protetor solar. O motorista de aplicativo conta que às vezes, a esposa recomenda que ele utilize, e tem consciência da importância de proteger a pele dos fortes raios. “Eu sei que infelizmente tem muito entregador que roda por aí de bermuda, de sandália, de camiseta regata, então isso pode acabar ocasionando um câncer de pele, uma insolação, é algo que pode vir mesmo prejudicar a saúde deles e levar até a morte. Eu, por exemplo, neste período quente, sinto tontura, a garganta seca…Nós esquecemos, ficamos naquela adrenalina, uma rota ali, outra ali e aí não lembramos de tomar água, de se hidratar, sentimos sede, e bate uma tontura, corpo mole”, relata o profissional autônomo.
O que Pedro vive é a rotina dos mais dos 1263 associados da Associação de Moto e Bike Aplicativo APP Duas Rodas da região metropolitana de Belém, que abrange os municípios de Belém, Ananindeua e Marituba. O presidente da Associação, Rômulo Paixão, orienta os associados. “Nós estamos preocupados com essa questão de altas temperaturas e orientamos aos nossos associados quanto ao cuidado à saúde, que usem protetor solar, camisas térmicas e se previnam, bebam bastante água frequentemente, porque a temperatura está prejudicando muito os entregadores, principalmente os que passam dia a dia na rua, que dependem do aplicativo, começam a trabalhar oito da manhã e param às 23 horas”, observa.
Ele ressalta o choque térmico que todos nós enfrentamos. “Nós estamos no calor e entramos no ar condicionado e enfrentamos o choque térmico e chegamos em casa com o corpo mole, febre, dor no corpo e aí tem que ficar de repouso, porém muitos trabalhadores vão trabalhar assim mesmo pelo fato de depender daquele aplicativo” detalha Rômulo Paixão.
Soluções práticas e sustentáveis
O TRT-8 instalou no prédio sede um Ponto de Apoio ao motorista de aplicativo que oferece um espaço para descanso, um local para abastecer água gelada e utilização do banheiro. Em breve, no mês de outubro será inaugurado um bicicletário móvel, informa o desembargador do TRT-8 e gestor regional do Programa Trabalho Seguro, Paulo Isan Coimbra Júnior.
O desembargador destaca que os trabalhadores que estão mais expostos às mudanças climáticas, são aqueles que executam às atividades à ceu aberto, trabalhadores rurais, da construção civil, das feiras livres e os motoristas de aplicativos. Ele ressalta que todo o trabalhador deve ter direito ao ambiente seguro e saudável, o meio ambiente dele não pode ser causa de adoecimento, daí decorre o primeiro dever da empresa. “Se o calor se tornou um risco ambiental, e de fato se tornou, a empresa deve fazer a gestão desse risco. Então, tem que verificar quais os melhores horários para trabalhar, as melhores vestes para se utilizar, fazer pausa para hidratação,se há repouso térmico, se a água é suficiente”, pontua.
Em relação às recomendações, o desembargador Paulo Isan Coimbra orienta a toda sociedade que primeiro se evite a exposição no momento de maior calor, se não puder evitar se proteja e sempre bem hidratado, com roupas apropriadas, leves, usando sombrinhas e passando filtro solar. “Nós, enquanto sociedade, podemos reorganizar a nossa cidade, reorganizar as nossas vidas, para se tornar cidades mais confortáveis do ponto de vista térmico, mais sustentáveis, cidades mais verdes, com transportes coletivos mais eficientes, cidades que emitam menos gases do efeito estufa na atmosfera. Nós temos que nos adaptar e trabalhar fortemente na mitigação”, finaliza o desembargador.
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 8ª Região Pará e Amapá, 08.09.2026
Os artigos reproduzidos neste clipping são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, o posicionamento de Granadeiro Advogados.