Comportamento de Consumo & Impacto Econômico
As apostas online deixaram de ser apenas entretenimento para se tornarem um ralo no orçamento das famílias brasileiras. O levantamento “Pulso | Apostas 2026”, realizado pelo instituto Hibou e divulgado pelo portal Mercado&Consumo, revela que 53% dos apostadores já atrasaram o pagamento de contas básicas para continuar apostando. E o impacto não para por aí: 45% afirmam ter reduzido as compras do orçamento doméstico para redirecionar o dinheiro para as bets. Com cerca de 38% dos adultos brasileiros apostando regularmente, a promessa de dinheiro fácil, citada por 47% como motivação principal, está corroendo a renda destinada ao consumo essencial.
O comportamento do apostador explica por que a situação saiu do controle para muitos. Embora o ticket médio pareça inofensivo à primeira vista (60% apostam no máximo R$50 por vez), a frequência é alta. Quase 40% jogam algumas vezes ao mês, e 11% fazem apostas várias vezes por semana. Essa constância, somada à falsa percepção de controle, faz com que o gasto mensal se acumule silenciosamente, resultando na necessidade relatada por quase metade dos entrevistados de cortar despesas básicas, como a compra do mês, para manter o hábito. Curiosamente, a grande maioria (80%) tem consciência de que as apostas podem se tornar um vício, mas a maioria se enxerga como “casual” e guiada apenas pela intuição.
Para o setor supermercadista, o cenário é de concorrência invisível e desigual. As bets competem pela mesma fatia de renda que deveria sustentar não apenas os itens de indulgência (como cerveja e petiscos para assistir aos jogos), mas também a cesta básica. A facilidade das plataformas de aposta, impulsionadas pela percepção de confiança e pela indicação de amigos (38%), fazem com que o dinheiro evapore antes mesmo de o cliente pensar em entrar na loja ou no aplicativo do supermercado
Por que você deve ficar ligado? O varejo alimentar precisa entender que o orçamento do cliente está cada vez mais apertado, não apenas pela inflação, mas por novos hábitos de consumo digital. Diante dessa perda de poder de compra na gôndola, estratégias de fidelização, promoções agressivas em categorias-chave de abastecimento e ações que reforçam o valor do consumo em família, longe das telas, tornam-se essenciais para resgatar a atenção e o bolso desse consumidor.