No Dia do Cartazista, celebrado em 17 de outubro, Ana Luiza, Ana Paula e Ana Vitória compartilham as experiências, os desafios e a criatividade que transformam as ofertas em comunicação com os consumidores
Aos olhos de quem percorre os corredores de um supermercado, os cartazes de ofertas podem parecer apenas parte da rotina de compras. Por trás das letras, cores e preços destacados, porém, existe um trabalho que combina técnica, criatividade, agilidade e atenção aos detalhes. No dia 17 de outubro, quando é celebrado o Dia do Cartazista, três profissionais mostram como a paixão pela arte pode transformar a comunicação no varejo alimentar. Curiosamente, todas compartilham o mesmo primeiro nome: Ana.
Ana Luiza Costa, cartazista do Real Supermercados, Ana Paula Dias Santos, do Atacadão, e Ana Vitória, que atua como cartazista autônoma, têm trajetórias diferentes, mas encontram na profissão a oportunidade de expressar criatividade, desenvolver habilidades e estabelecer uma conexão com os consumidores.
É nesse contexto e para celebrar essa data que SuperHiper conversou com três jovens mulheres Cartazistas. Confira!
A história de Ana Luiza começou com a produção de cartazes digitais para as gôndolas. Ao perceber seu interesse, o gerente da rede perguntou se ela gostaria de aprender a fazer cartazes manualmente. Sem conhecer a profissão até então, ela buscou videoaulas na internet e contou com a ajuda de uma pessoa para aprender a manusear os pincéis. Desde então, desenvolveu suas próprias técnicas e ampliou as possibilidades de criação.
“Eu amo essa liberdade artística. Eu descobri isso depois que comecei a acompanhar mais o trabalho do Filipe Grimaldi, entendi que o meu trabalho não se resume a letras e números”, afirma.
Para Ana Luiza, o principal desafio está no tempo. Como atende três unidades da rede, precisa organizar a produção para responder às demandas com agilidade. A estratégia é adiantar tarefas nos períodos mais tranquilos, preparando materiais e deixando tudo pronto para quando as ofertas chegarem. Assim, consegue conciliar produtividade e qualidade sem abrir mão do cuidado artístico.
Já Ana Paula, hoje cartazista no Atacadão, construiu uma trajetória que começou em 2008, quando trabalhava como operadora de caixa em outra rede supermercadista e recebeu a oportunidade de atuar como cartazista. Com esforço e dedicação, consolidou sua experiência em uma atividade que considera desafiadora, mas que lhe permite explorar a escrita e a criatividade.
A profissional destaca que a comunicação visual tem impacto direto nos resultados comerciais. “É de extrema importância, pois através de um cartaz bem sinalizado podemos gerar diversas vendas”, ressalta.
A relação com a tecnologia também faz parte de sua experiência. Ana Paula não vê as ferramentas digitais como uma ameaça ao trabalho manual e se define como uma cartazista “raiz”. Para ela, existe um público que valoriza essa arte, assim como empresas que reconhecem sua contribuição para a operação. Um dos episódios que mais chamam sua atenção, inclusive, é a surpresa de clientes ao descobrirem que uma mulher está por trás dos cartazes.
A presença feminina na profissão, segundo ela, nem sempre foi recebida com naturalidade. “No início eu vivi muitos tabus, porém hoje é mais aceito”, conta.
A experiência de Ana Vitória também começou de maneira inesperada. Há quatro anos ela procurava uma oportunidade de trabalho em uma loja do Mateus Supermercado localizado em Quixeramobim, no Ceará, quando a entrevistadora sugeriu a vaga de cartazista após saber que a jovem fazia desenhos para conseguir uma renda extra. Contratada, passou por 15 dias de treinamento com um profissional de outra filial e, em seguida, assumiu sozinha a produção da loja.
Hoje, além da experiência em uma grande rede varejista, ela trabalha de forma autônoma e destaca a liberdade criativa e a flexibilidade como alguns dos principais atrativos da atividade. Nesse modelo, no entanto, fidelizar clientes e conquistar novas oportunidades são desafios constantes. “Se colocar a disposição é fundamental para auxiliar lojas que não tem um departamento de marketing”, afirma.
Para Ana Vitória, talento artístico ajuda, mas não substitui a prática e o aprendizado. “O talento não é nada sem um treinamento adequado, o esforço e repetição é a única coisa que faz o iniciante se tornar profissional”, comenta.
Ela também ressalta a importância do cartazista para atrair a atenção de quem passa em frente à loja ou entra no estabelecimento. Informações claras e objetivas ajudam a destacar ofertas, despertar interesse e transmitir mensagens de maneira simples. Por isso, a atenção à ortografia e à organização visual é indispensável, especialmente nos períodos de maior movimento, quando o volume de materiais aumenta.
Entre tradição e inovação
Embora a tecnologia tenha ampliado o acesso a referências, informações e ferramentas de divulgação, o trabalho manual continua encontrando espaço no varejo. Ana Luiza acredita que o cartaz feito à mão mantém uma característica que vai além da informação comercial: a dimensão humana. “Ser cartazista num mundo digital é mostrar que o que é feito à mão ainda tem alma”, resume.
Para Ana Vitória, as redes de apoio e o contato facilitado com clientes também mudaram o cenário profissional, sobretudo para quem trabalha por conta própria. A internet permite compartilhar referências, trocar experiências e divulgar serviços, ampliando as possibilidades de atuação para além das grandes redes.
As três profissionais também convergem ao apontar a criatividade como uma habilidade fundamental. O domínio dos pincéis, o conhecimento dos materiais, a noção de espaço e a capacidade de inovar ajudam a transformar uma oferta em uma peça visual eficiente. Ao mesmo tempo, organização e agilidade são essenciais para acompanhar o ritmo do supermercado, no qual as campanhas mudam frequentemente e os cartazes precisam estar prontos no momento certo.
A participação feminina representa outra dimensão dessa transformação. Além de enfrentar preconceitos e situações de surpresa por parte dos consumidores, as profissionais encontram oportunidades de troca e incentivo. Ana Luiza destaca a importância de grupos nos quais mulheres compartilham trabalhos, esclarecem dúvidas e estimulam umas às outras. Ana Vitória, por sua vez, considera essa presença necessária em uma atividade na qual, segundo sua percepção, os homens ainda são maioria entre os profissionais.
Criatividade que abre caminhos
Para quem deseja ingressar na área, as três Anas deixam uma mensagem em comum: aprender, praticar e não desistir. Estudar técnicas, buscar referências, conhecer materiais e experimentar novas possibilidades são passos importantes para desenvolver o trabalho. A prática constante ajuda a aperfeiçoar o traço e a construir uma identidade profissional.
Ana Luiza recomenda que as iniciantes usem a criatividade e a atenção aos detalhes a seu favor. Ana Paula reforça a importância da dedicação, da humildade para aprender e do orgulho por cada conquista. Já Ana Vitória aconselha a começar mesmo sem alcançar a perfeição logo nos primeiros trabalhos, entendendo cada experiência como uma oportunidade de evolução.
No Dia do Cartazista, as histórias das três profissionais mostram que, muito além de destacar preços, a atividade exige conhecimento, compromisso e sensibilidade para dialogar com o consumidor. Seja em uma grande rede, seja no trabalho autônomo, cada cartaz reúne informação e expressão artística, contribuindo para a identidade da loja e para a experiência de compra.
Três mulheres, três trajetórias e um mesmo nome simbolizam a diversidade de caminhos possíveis na profissão. Ana Luiza, Ana Paula e Ana Vitória mostram que, no varejo alimentar, a criatividade também tem lugar de destaque e que, por trás de cada letra pintada, existe uma profissional que transforma o cotidiano em arte.
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