Atendente de telemarketing consegue na justiça o reconhecimento da dispensa discriminatória

Jurídico

Provas demonstram que a dispensa ocorreu por fatores relacionados à condição do reclamante de cuidador de filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

A 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (AL) decidiu, por unanimidade, manter a decisão da 3ª Vara do Trabalha de Maceió, que reverteu a dispensa por justa causa por desleixo, aplicada a trabalhador do ramo de telemarketing, condenando a empresa no pagamento de todas as verbas rescisórias e, ainda, em indenização por danos morais pela dispensa discriminatória.

O reclamante exercia a função de atendente, atuando em uma empresa de telemarketing e é pai de uma criança de dois anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em razão da condição do filho, o trabalhador precisava acompanhá-lo em consultas e tratamentos médicos, sempre apresentando à empresa os atestados e declarações de acompanhamento. Porém, o empregador optou por desconsiderar a documentação médica e lançar as faltas no cartão de ponto do trabalhador, sob a justificativa de que ele havia excedido o limite de abonos previstos no instrumento coletivo de trabalho.

Ao analisar o caso, o relator, desembargador Marcelo Vieira, ressaltou que as ausências do trabalhador não caracterizaram desinteresse ou negligência, mas decorreram de uma grave situação de vulnerabilidade familiar. Destacou, ainda, que o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) do filho do autor coincidiu com o período que a empresa classificou a conduta do ex-empregado como de descuido, aplicando a falta grave e dispensando o trabalhador por justa causa. “A prova documental é contundente em demonstrar a boa-fé do empregado: houve a tentativa frustrada de envio das declarações de acompanhamento pelo sistema da empresa e o diálogo transparente com a supervisão.”

Vieira também consignou em seu voto que “a aplicação da pena máxima de justa causa exige a estrita observância da proporcionalidade e do princípio da razoabilidade. No presente caso, a punição foi aplicada em menos de um mês após o diagnóstico do menor, período em que a própria empresa detinha pleno conhecimento da condição do filho do trabalhador. A dispensa, sob estas circunstâncias, configura exercício abusivo do poder diretivo, uma vez que a ausência era motivada por necessidade inadiável de cuidado com pessoa com deficiência”, afirmou o desembargador.

Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 19ª Região (AL), 05.08.2026

Os artigos reproduzidos neste clipping são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, o posicionamento de Granadeiro Advogados.

Fonte : https://granadeiro.adv.br/clipping/atendente-de-telemarketing-consegue-na-justica-o-reconhecimento-da-dispensa-discriminatoria/?utm_medium=email&utm_campaign=clipping_de_noticias_-_06082026&utm_source=RD+Station

O Sincovaga Notícias é o portal do Sincovaga SP, que mantém parcerias estratégicas com renomados veículos de comunicação, replicando, com autorização, conteúdos relevantes para manter os empresários do varejo de alimentos e o público em geral bem informados sobre as novidades do setor e da economia.