A mediana para o IPCA de 2026 subiu de 5,04% para 5,09%, enquanto 2027 avançou de 4,01% para 4,02% e 2028 de 3,65% para 3,66%. A piora generalizada reforçou a percepção da inflação mais resistente após a divulgação do IPCA-15 de maio de 0,62%, já que o acumulado em 12 meses subiu de 4,37% para 4,64%. A pressão ainda equipamentos em alimentação, habitação e saúde, somada à avaliação do Copom sobre expectativas desancoradas, ajuda a explicar a 13ª semana consecutiva de revisão altista para 2026.
No PIB, a projeção para 2026 avançou de 1,89% para 1,90%, enquanto 2027 caiu em 1,70% e 2028 em 2,00%. A revisão positiva dialoga com a divulgação do PIB do primeiro trimestre, que cresceu 1,1% frente ao trimestre anterior, com alta em Agropecuária, Indústria e Serviços. O saldo de 85,9 mil empregos formais em abril também sustenta a leitura de atividade ainda resiliente, embora o Focus preserve um cenário de crescimento moderado para os próximos anos.
Para o câmbio, a mediana de 2026 recuou de R$/US$ 5,17 para R$/US$ 5,16, a de 2027 caiu de R$/US$ 5,26 para R$/US$ 5,25 e a de 2028 caiu em R$/US$ 5,30. O ajuste indica as expectativas do real nos horizontes mais próximos, apesar da volatilidade recente do mercado. O dólar fechou em R$ 5.032 em 28 de maio, com problema geopolítico e dados benignos de inflação nos Estados Unidos, mas ainda acumulou alto no mês, o que sugere uma revisão cautelosa, sem mudança estrutural no balanço de riscos externos.
As medianas da Selic justificam em 13,25% para 2026, 11,25% para 2027 e 10,00% para 2028. A estabilidade ocorre após a reprecificação altista das semanas anteriores e é compatível com uma leitura de juros elevada por mais tempo. O IPCA-15 acumulado em 12 meses subiu, enquanto a taxa de desocupação segue baixa em termos históricos, reforçando a avaliação do Copom de que a política monetária precisa permanecer cautelosa diante da inflação elevada e do mercado de trabalho resiliente.
No resultado primário, a projeção para 2028 melhorou de -0,25% para -0,22% do PIB, enquanto as medianas de 2026 e 2027 resultaram em resultados em -0,50% e -0,40% do PIB. A melhoria no horizonte mais longo ocorre em uma semana marcada por resultados fiscais mais detalhados na margem, com superávit primário de R$ 25,2 bilhões do Governo Central em abril e de R$ 25,9 bilhões do setor público consolidado. Ainda assim, o déficit acumulado em 12 meses pelo setor público mantém uma leitura de cautela quanto à consolidação fiscal.
Fonte : portaldocomercio.org.br