Vendas globais do grupo avançaram 2,3%, mas cenário de consumo pressionado no Brasil e instabilidade na França desafiam operação
No Brasil, as vendas totais do Carrefour alcançaram 5,14 bilhões de euros no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 9,4%, aproximadamente R$ 32,2 bilhões, pela cotação de 26 de outubro. As vendas em mesmas lojas no País cresceram 1,4% no período, impulsionadas pelo desempenho do Atacadão e do Sam’s Club.
O desempenho brasileiro foi sustentado principalmente pelo Atacadão, que apresentou aceleração das vendas e ganhos de participação de mercado, segundo a empresa.
O resultado representa uma aceleração em relação ao avanço de 0,4% acumulado nos nove primeiros meses do ano, apesar de um ambiente de consumo ainda pressionado pelos juros elevados e pela retração dos volumes comercializados no setor alimentar, disse o grupo em comunicado ao mercado.
Globalmente, o Carrefour registrou crescimento de 2,3% nas vendas comparáveis, mantendo um ritmo próximo ao observado no primeiro semestre, quando o avanço foi de 2,1%.
No terceiro trimestre, o Brasil respondeu por aproximadamente 23% das vendas globais do Carrefour, consolidando sua posição entre os três principais mercados do grupo, ao lado de França e Espanha.
Atacadão acelera e ganha participação de mercado
O Atacadão registrou crescimento de 2% nas vendas em mesmas lojas entre julho e setembro, melhorando seu desempenho pelo terceiro trimestre consecutivo.
A bandeira havia encerrado os primeiros três meses do ano com retração de 1%, seguida de crescimento de 0,5% no segundo trimestre.
Segundo o Carrefour, o avanço ocorreu em um mercado brasileiro ainda caracterizado pela queda dos volumes comercializados, especialmente no atacarejo, formato que continua enfrentando dificuldades relacionadas ao poder de compra dos consumidores e às condições de financiamento.
Apesar desse ambiente, o Atacadão conseguiu melhorar sua trajetória de volumes e ampliar sua participação de mercado, segundo o Carrefour.
A rede também manteve sua estratégia de expansão, com a abertura de duas unidades durante o trimestre. No encerramento de setembro, o grupo contabilizava 389 lojas de atacarejo no Brasil.
Outra iniciativa destacada foi a expansão da marca própria Bulnez, desenvolvida como parte do plano estratégico Carrefour 2030. A linha já reúne aproximadamente 300 produtos.
Sam’s Club cresce 3,6%, enquanto varejo tradicional recua
O Sam’s Club apresentou o maior crescimento entre as operações brasileiras do Carrefour, com avanço de 3,6% nas vendas comparáveis.
O desempenho foi impulsionado pelo aumento dos volumes comercializados e pela expansão da base de associados ativos.
Já a operação Carrefour Retail, que reúne os formatos tradicionais de varejo, registrou retração de 2,3% nas vendas comparáveis.
A queda foi influenciada principalmente pela descontinuação das operações de comércio eletrônico de produtos não alimentares, decisão relacionada à estratégia de priorizar a rentabilidade dos negócios digitais.
No segmento alimentar, entretanto, o desempenho foi positivo. As vendas de alimentos do Carrefour Retail cresceram 1,5%, enquanto os hipermercados registraram avanço de 0,8%.
A diferença entre os resultados evidencia os distintos momentos das bandeiras operadas pelo grupo no País. Enquanto o Atacadão recupera o crescimento e o Sam’s Club amplia sua base de consumidores, o Carrefour Retail passa por ajustes em seu modelo comercial e digital.
Carrefour global fatura 22,8 bilhões de euros no trimestre
Considerando todas as operações internacionais, as vendas globais do Carrefour somaram 22,78 bilhões de euros no terceiro trimestre, incluindo os efeitos do ajuste contábil relacionado à hiperinflação na Argentina.
Antes desse ajuste, o faturamento foi de 22,69 bilhões de euros, crescimento de 3,9% em euros correntes e de 2,7% a taxas de câmbio constantes.
O avanço das vendas comparáveis foi sustentado pelo segmento alimentar, que cresceu 2,7%. Já os produtos não alimentares registraram retração de 1,1%.
Na França, principal mercado do grupo, as vendas comparáveis aumentaram 1,2%, alcançando 11,9 bilhões de euros.
A Espanha registrou crescimento de 2,1%, com faturamento de 3,11 bilhões de euros, impulsionado principalmente pelas lojas de proximidade, cujas vendas avançaram 13%.
Entre os demais mercados, a Argentina apresentou crescimento de 24,2% nas vendas comparáveis, enquanto a Bélgica avançou 2,3%. Na Polônia, houve retração de 4,3%.
O comércio eletrônico global também manteve trajetória de expansão, com crescimento de 18% no trimestre.
Instabilidade na França leva Carrefour a revisar projeções
Apesar do avanço das vendas globais, o Carrefour reduziu suas expectativas financeiras para 2026 em razão da deterioração das condições sociais e de segurança na França.
Segundo a companhia, os acontecimentos recentes no país europeu afetaram o funcionamento de diversas lojas em áreas urbanas, provocando redução do fluxo de consumidores, restrições de horários de funcionamento e aumento das despesas com segurança e logística.
O grupo também aponta que a alta dos custos de energia vem pressionando o poder de compra das famílias francesas.
Diante desse cenário, o Carrefour passou a projetar crescimento de até 15 pontos-base na margem operacional recorrente em 2026, abaixo da expectativa anterior de avanço de 25 pontos-base.
A companhia também revisou sua projeção de lucro ajustado por ação, que passou de crescimento de um dígito alto para estabilidade ou ligeira alta em relação a 2025.
Para o fluxo de caixa livre líquido, a expectativa passou de ligeiro crescimento para pequena retração.
O CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard, afirmou que a empresa enfrenta um cenário de elevada incerteza sobre o comportamento do consumidor e as condições de funcionamento das lojas na França, mas ressaltou que o direcionamento estratégico permanece o mesmo.
“Diante desse cenário, estamos revisando nossas metas financeiras para 2026 e prevemos um crescimento mais moderado da margem operacional. Nosso planejamento estratégico permanece inalterado”, disse o executivo.
O grupo reduziu sua previsão de investimentos anuais de 1,7 bilhão de euros para 1,6 bilhão, concentrando os ajustes na operação francesa.