Comércio de gêneros alimentícios mantém crescimento, mas desacelera no ritmo de expansão da receita

Volume de vendas do segmento avançou 1% em 12 meses até agosto de 2026, enquanto receita acumulada no período cresceu 3,8%. Inflação da alimentação no domicílio voltou a acelerar em setembro.

O comércio de gêneros alimentícios mantém trajetória de crescimento, embora apresente sinais de desaceleração na receita. Dados apresentados pela Câmara Brasileira do Comércio de Gêneros Alimentícios (CBCGAL), com base em levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o volume de vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou alta de 1% no acumulado de 12 meses até agosto de 2026.

O resultado representa uma recuperação em relação ao desempenho observado no início do ano, mas indica um ritmo de expansão mais moderado. Em agosto de 2025, o crescimento acumulado em 12 meses havia sido de 1,6%. Ao longo do período, o indicador perdeu força, chegando a 0,5% em maio de 2026, antes de retomar gradualmente a trajetória de alta.

Na comparação com o comércio varejista ampliado, o segmento de alimentos apresentou desempenho superior. Enquanto o volume de vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 1% em 12 meses até agosto, o varejo ampliado avançou 1,4%, após registrar resultados negativos ou próximos da estabilidade em parte do período.

O comportamento da receita revela um cenário de maior moderação. O faturamento acumulado em 12 meses do segmento de gêneros alimentícios passou de uma expansão de 8,4%, em agosto de 2025, para 3,8% em agosto de 2026. Já o comércio varejista ampliado registrou retração de 0,2% no mesmo intervalo. Os números indicam que, apesar da continuidade do crescimento das vendas em volume, o ritmo de expansão da receita perdeu intensidade ao longo dos últimos 12 meses.

Mercado de trabalho apresenta resultados positivos

No mercado de trabalho, os indicadores também apontam crescimento. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), referentes ao trimestre de julho, agosto e setembro de 2026, o setor de alojamento e alimentação contabilizou 5,516 milhões de pessoas ocupadas, alta de 1,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

O rendimento médio real do trabalho principal alcançou R$ 2.441, com crescimento de 0,2% na mesma comparação. Os resultados mostram uma evolução positiva da ocupação, acompanhada de uma variação mais discreta na remuneração.

Inflação dos alimentos volta a acelerar

O comportamento dos preços também merece atenção do setor. De acordo com o IBGE, a inflação dos alimentos consumidos no domicílio, acumulada em 12 meses, chegou a 4,19% em setembro de 2026, depois de registrar 2,7% em agosto. A trajetória indica uma aceleração recente dos preços após um período de desaceleração, que levou o indicador a ficar próximo de zero em fevereiro.

Na alimentação fora do domicílio, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 5,79% em setembro, ante 5,4% em agosto. Embora tenha apresentado uma elevação mais moderada, o indicador permanece acima daquele observado para a alimentação consumida em casa.

O conjunto dos indicadores mostra um setor que continua avançando em volume de vendas e geração de ocupações, mas enfrenta um cenário de crescimento mais moderado da receita e mudanças no comportamento dos preços. Para o comércio de gêneros alimentícios, acompanhar a evolução do consumo, da inflação e do mercado de trabalho será fundamental para avaliar as perspectivas de desempenho nos próximos meses.

Fonte: Câmara Brasileira do Comércio de Gêneros Alimentícios (CBCGAL), com dados do IBGE – Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e indicadores de inflação.

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