Faturamento do varejo paulista caiu 6,9% em abril, indicando desaceleração do consumo

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Juros, crédito restrito, dívidas e apostas afetaram o consumo discricionário e já começaram a impactar as compras essenciais
O faturamento do comércio no Estado de São Paulo caiu 6,9% em abril, quando comparado com o mesmo período de 2025. De acordo com a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em parceria com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), o faturamento real atingiu R$ 122,1 bilhões no mês (R$ 9 bilhões abaixo do valor apurado em abril de 2025.

Após um forte ciclo de crescimento, praticamente ininterrupto desde a retomada das atividades pós-pandemia — batendo recorde de faturamento no ano passado —, o varejo paulista passa por um processo de desaceleração, que teve início nos segmentos que mais dependem do crédito e do consumo não essencial, como eletrodomésticos, eletrônicos, móveis e materiais de construção. Agora, já se expande para atividades como supermercados e vestuário, apontando que o movimento também afetou as compras do cotidiano.

Dentre as razões para essa desaceleração, há a forte base de comparação, porém o cenário macroeconômico marcado por juros elevados, inflação acima do teto da meta e famílias endividadas e inadimplentes refletem negativamente no consumo.

No ano, as vendas varejistas acumularam perda de 5,1%, o que representa um faturamento de R$ 25,9 bilhões inferior ao obtido entre janeiro e abril do ano passado. Das nove atividades avaliadas pela pesquisa, apenas uma registrou aumento de faturamento real: as concessionárias de veículos (8,3%). Essa elevação contribuiu para o resultado geral com 0,9 ponto porcentual (p.p). Apesar do crescimento, o desempenho não foi suficiente para compensar a retração observada nos demais grupos.

Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos, por exemplo, caíram 30,1%, enquanto autopeças e acessórios e outras atividades apontaram quedas de 9,1%. Já supermercados (-7,7%), lojas de vestuário, tecidos e calçados (-7,6%), materiais de construção (-7,5%), lojas de móveis e decoração (-5,9%) e farmácias e perfumarias (-0,4%) apresentaram recuos menores, o que resultou em uma pressão negativa de 7,8 p.p. no resultado geral da PCCV.

Nota metodológica


A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV) utiliza dados da receita mensal informados pelas empresas varejistas ao governo paulista por meio de um convênio de cooperação técnica firmado entre a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). As informações, segmentadas em 16 Delegacias Regionais Tributárias da Secretaria, englobam todos os municípios paulistas e nove setores (autopeças e acessórios; concessionárias de veículos; farmácias e perfumarias; lojas de eletrodomésticos e eletrônicos e lojas de departamentos; lojas de móveis e decoração; lojas de vestuário, tecidos e calçados; materiais de construção; supermercados; e outras atividades). Os dados brutos são tratados tecnicamente de forma a se apurar o valor real das vendas em cada atividade e o seu volume total em cada região. Após a consolidação dessas informações, são obtidos os resultados de desempenho de todo o Estado.

Fonte : https://www.fecomercio.com.br

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