Levantamento do Instituto Hibou revela ainda que 45% dos apostadores reduziram compras do orçamento doméstico
Mais da metade dos brasileiros que apostam em bets já deixou de pagar uma conta em dia para fazer uma aposta. O comportamento é relatado por 53% dos apostadores, segundo a pesquisa “Pulso | Apostas 2026”, do instituto Hibou. Entre eles, 28% afirmam que isso aconteceu mais de uma vez e 25% relatam um episódio isolado.
O levantamento mostra que as apostas já fazem parte da rotina de uma parcela significativa da população. Cerca de 38% dos brasileiros adultos ouvidos pela pesquisa afirmam apostar em bets. O estudo foi realizado entre 28 e 31 de agosto, com mais de 2,4 mil entrevistados das classes A, B, C e D.
A principal motivação para apostar é financeira. A possibilidade de ganhar dinheiro foi citada por 47% dos apostadores. Na sequência estão diversão e entretenimento, com 42%, e a busca por acompanhar partidas esportivas com mais emoção, apontada por 33%.
A influência do círculo social também aparece entre os motivos. Segundo a pesquisa, 22% dizem apostar por influência de amigos ou do grupo social. Outros 20% afirmam que usam o conhecimento sobre esportes como forma de tentar ganhar dinheiro. Bônus e promoções oferecidos pelas casas de apostas têm menor peso: apenas 4% apontam esse fator como motivação. Outros 3% citam razões diferentes.
A frequência das apostas varia entre os entrevistados. Quase quatro em cada dez apostadores (39%) fazem isso algumas vezes por mês. Outros 22% apostam uma vez por semana e 11%, várias vezes por semana. Já 20% dizem apostar raramente, apenas em eventos especiais. As apostas diárias são relatadas por 2%, enquanto 6% fizeram somente uma aposta até hoje.
O levantamento também mostra que, para muitos, o comportamento não é recente. Entre os apostadores, 26% mantêm o hábito há mais de cinco anos. Outros 24% apostam há entre um e dois anos, 18% começaram entre seis meses e um ano atrás e 13% têm entre dois e cinco anos de prática. Os que começaram há menos de seis meses representam 19%.
Ticket médio é baixo, mas o comprometimento financeiro é alto
Em relação aos valores, a maior parte dos apostadores concentra as apostas em quantias menores. Segundo a pesquisa, 36% apostam entre R$ 21 e R$ 50 por vez, enquanto 24% desembolsam até R$ 20. Outros 15% apostam entre R$ 51 e R$ 100, e 18% ficam na faixa de R$ 101 a R$ 300. Apostas acima de R$ 300 são realizadas por 3% dos entrevistados, enquanto 4% preferem não informar o valor.
O hábito também já afeta o orçamento doméstico. Entre os apostadores, 45% afirmam que já reduziram algumas vezes as compras para casa por causa das apostas. Outros 14% fizeram esse corte uma vez. Há ainda 3% que chegaram a considerar a redução desses gastos, mas desistiram. Para 38%, as apostas nunca levaram à necessidade de diminuir as compras domésticas.
Apostador se enxerga como “casual”
. Segundo a pesquisa, 46% dizem apostar sem uma metodologia definida, guiados principalmente pela intuição ou pela diversão. Outros 30% afirmam ainda estar descobrindo o próprio perfil como apostador.
Os chamados “punters”, que concentram as apostas no pré-jogo e em mercados mais simples, representam 18% dos entrevistados. Já os “traders”, que analisam odds e variações e ajustam as apostas durante as partidas, correspondem a 6%.
Reputação da casa de apostas pesa
Na hora de escolher onde apostar, reputação e confiança na plataforma são os fatores mais citados, apontados por 44% dos apostadores. Recomendação de amigos e familiares aparece em segundo lugar (38%), seguida por facilidade de uso da plataforma (31%) e bônus e promoções (30%). Casas conhecidas internacionalmente pesam para 25% dos apostadores, enquanto as odds oferecidas influenciam 17%. Já o patrocínio ao time de futebol é citado por 8%.
Fatores ligados à exposição em mídia e conteúdo têm peso menor. Ser anunciante da Cazé TV é citado por 3%, indicação de influenciador por 2%, outro fator não listado por 2% e ser anunciante da Globo por apenas 1%.
Consciência sobre o risco e perda de controle
Apesar do comprometimento financeiro relatado, 80% dos apostadores concordam ou concordam totalmente que as apostas esportivas podem se tornar um vício, sendo 49% que concordam e 31% que concordam totalmente. Outros 10% não concordam nem discordam, enquanto 9% discordam. Nenhum entrevistado discordou totalmente.
Questionados se já sentiram que as apostas estavam saindo do controle ou afetando negativamente a vida financeira ou emocional, 15% dos apostadores dizem que sim, sendo 6% “frequentemente” e 9% “algumas vezes”. Outros 23% relatam que isso aconteceu “raramente”, enquanto 6% preferiram não responder. A maioria (56%) afirma nunca ter sentido esse tipo de efeito.
Fonte : https://mercadoeconsumo.com.br/Bets fazem 53% dos apostadores atrasarem contas básicas