O Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, hoje (11/04/2025), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a março de 2025. O indicador desacelerou nesse mês, após ter variado 1,31% com relação a janeiro, variou 0,56% na comparação com fevereiro. O indicador veio em linha com a expectativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O mercado esperava uma variação de 0,53%.
O acumulado em 12 meses subiu de 5,06% para 5,48%, acima do topo da meta de inflação, de 4,5%. É o terceiro mês consecutivo acima da meta. De acordo com o novo sistema de metas, a meta é considerada violada se a inflação acumulada superar a meta por seis meses consecutivos. A média dos núcleos de inflação, medida usada pelo Banco Central para excluir itens mais voláteis, atingiu 5,06%. Isso reforça a visão de que a inflação segue fora de controle, o que tem exigido forte resposta do Banco Central.
Todos os nove grupos definidos pelo IBGE subiram. O grupo de alimentação e bebidas voltou a ser o vilão do mês, avançando 1,17%. Sozinho, ele foi responsável por 45% da inflação de março. Entre os itens que mais subiram, estão, novamente, o ovo (13,13%) e o café moído (8,14%). Esses dois itens passaram por choques que afetaram a sua produção em outros países, aumentado a demanda por exportação dos itens produzidos no Brasil. O acumulado em 12 meses do grupo já atinge 7,68%, bem acima do IPCA total. As tentativas do governo de controlar o aumento dos preços dos alimentos, como a desoneração do imposto de importação de uma série de itens, parece não ter surtido efeito. Esse resultado já era esperado, uma vez que o Brasil é grande produtor da maioria dos itens e depende pouco de sua importação.
O grupo de transportes (0,46%) foi o segundo que mais impactou a inflação de março, acrescentando 0,09 ponto percentual ao índice. Passagem aérea (6,91%) e combustíveis (0,46%) foram os principais itens. Apesar disso, vê-se uma desaceleração do segundo, que havia crescido 2,89% em fevereiro. O item ainda foi influenciado pelo reajuste do transporte público em algumas capitais, que ofereceram descontos no ônibus nos fins de semana e feriados.
O grupo de despesas pessoais foi o segundo que mais cresceu no mês (0,71%), influenciado pelo subitem cinema, teatro e concertos (7,76%). De acordo com o IBGE, esse ajuste se deu por conta do fim de semana do cinema, ocorrido em fevereiro, que tornou a base de comparação mais fraca. O grupo de educação foi o que menos cresceu (0,10%). O reajuste de escolas e universidades normalmente se concentra em janeiro e fevereiro.
Entre os dez principais itens do IPCA, a gasolina foi a que mais subiu (10,89%), seguida pelo plano de saúde (7,24%). Excluindo emplacamento e licença, todos os subitens subiram ou se mantiveram estáveis no acumulado de 12 meses. Água e esgoto foi o único que não cresceu no mês (0,0%).
A inflação de serviços também preocupa. Embora o acumulado nos três meses terminados em março tenha tido uma leve queda, passando de 2,3% para 2,25%, segue em patamar elevado. Os serviços intensivos em trabalho, uma boa aproximação para vermos a inflação dos salários, seguiram a mesma dinâmica. Esse indicador é importante, pois, com o mercado de trabalho aquecido, há uma preocupação que os salários sejam reajustados acima dos ganhos de produtividade por conta da falta de mão de obra disponível. Isso poderia iniciar um processo conhecido como espiral inflacionária, em que o aumento dos salários leva ao aumento dos demais preços, que por sua vez leva a novos aumentos do salário. Esse ciclo continuaria e, por conseguinte, aumentaria sucessivamente a inflação.