Lideranças como motor de transformação do varejo e do País

Executivos do varejo discutem o papel da liderança no crescimento do Brasil e do setor

Felipe Mario

Já sabemos que as lideranças são um dos pilares de uma empresa, mas qual é o papel desses líderes no crescimento de um país? Essa foi justamente a provocação feita por Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral e fundador da Gouvêa Ecosystem, no painel de encerramento do Retail Executive Summit 2026 (RES).

O evento foi realizado na última quarta-feira, 14, no TikTok ByteDance Office, em Nova York, e teve como objetivo transformar tendências observadas na NRF em reflexões estratégicas e aplicações práticas para o varejo brasileiro.

O painel “Come to Brazil: O papel das lideranças na transformação do varejo brasileiro” contou com mediação de Gouvêa e participação de Rogério Barreira, presidente do McDonald’s Brasil; Fábio Faccio, CEO da Lojas Renner S.A.; Luciana Staciarini, presidente Brasil e Cone Sul da Coca-Cola Company; e Fábio Queiróz, presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj).

“Nós todos, sem dúvida, saímos daqui sensibilizados com uma série de questões envolvendo tecnologia e digital, mas, como líderes, e líderes privilegiados por termos essa visão de mundo, o que deveríamos levar de volta ao Brasil e repensar sobre o nosso papel na transformação do próprio País?”, questionou Gouvêa às lideranças presentes no painel.

Fábio Queiróz

“Não tem jeito: é preciso repensar as lideranças, liderar de forma diferente, considerando cultura, pessoas e o avanço da tecnologia. Esses aspectos até podem ser identificados de maneira mais técnica, rápida e estudiosa, mas o desafio das pessoas é o maior do varejo. Estamos deixando de abrir lojas ou sendo provocados a adiar inaugurações por falta de pessoas. Assim, a habilidade do líder de olhar para as pessoas e implementar a cultura é o que vai tornar o varejo mais ou menos longevo.”

Fábio Faccio

“Acho que, se não atacarmos primeiro uma forte reforma administrativa, junto com um combate efetivo à corrupção, que suga mais da metade do PIB brasileiro para pagar essa conta e não retorna à população de forma eficiente, deixamos de investir o que deveríamos em educação e o que poderíamos em produtividade. Mais da metade do PIB é drenada para nada. Assim, seguimos com o que temos, operando com menos de meio motor. Imagine se liberássemos todo esse potencial.

Por isso, precisamos de um projeto de governo, seja no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário, com um olhar voltado para o País e para o crescimento de um país liberal, com uma reforma administrativa séria, redução da corrupção e uma reforma tributária consistente.”

Rogério Barreira

“O setor de foodservice sempre teve a característica de ser a porta de entrada para o primeiro emprego. Por isso, a educação é algo com que podemos apoiar a nossa nação. Quanto mais gente educada, treinada e com acesso à informação, melhor será o nosso País. No caso do McDonald’s, a empresa funciona como essa porta de entrada: contrata pessoas sem nenhuma experiência, que podem crescer e chegar a outras posições dentro da companhia.

Eu sou um exemplo disso, assim como muitos outros que começaram com o objetivo de concluir os estudos e acabaram ficando. Há também aqueles que ingressaram na companhia, adquiriram conhecimentos sobre trabalho em equipe, controle de qualidade e atendimento ao cliente, conseguiram concluir a formação superior e hoje atuam em outras empresas. Cada organização, cada negócio, pode contribuir de alguma forma.

No nosso caso, essa contribuição acontece especialmente por meio da formação e da educação, preparando essas pessoas para o mercado de trabalho.”

Luciana Staciarini

“Acho que é fundamental usar o espírito empreendedor, fazer acontecer e não desistir por causa do momento econômico. Seguir investindo, apesar de todos os ups and downs, é parte desse papel.

Nos últimos dois anos fizemos um investimento de R$ 12 bilhões no Brasil para aumentar a capacidade produtiva. Isso, de fato, está sob o nosso controle. Sempre haverá momentos melhores ou piores, mas é preciso acreditar no futuro. Esse é o nosso papel.

E, conectado ao que o Rogério falou, está o investimento nas pessoas e nos talentos. Por mais que falemos tanto de tecnologia, são as pessoas que vão fomentar, implementar e executar tudo isso.”

Fonte : https://mercadoeconsumo.com.br/15/01/2026/nrf-retails-big-show/liderancas-como-motor-de-transformacao-do-varejo-e-do-pais-marca-debate-no-res-2026

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