Rede de minimercados autônomos já opera em Dubai e prepara entrada nos Estados Unidos e na Europa
A Minha Quitandinha quer fechar 2026 com mil operações em funcionamento, acelerando uma expansão que levou a rede de 769 unidades em março para cerca de 850 poucos meses depois. O movimento ocorre ao mesmo tempo em que a empresa começa a avançar fora do Brasil, com sete operações já ativas em Dubai e planos de expansão para Estados Unidos, Portugal e outros mercados europeus.
Em entrevista ao Bora Varejar, podcast da Mercado&Consumo, Guilherme Mauri, CEO e cofundador da Minha Quitandinha, afirmou que a companhia enxerga no modelo brasileiro de minimercados autônomos uma oportunidade de internacionalização justamente por combinar tecnologia, baixo custo operacional e adaptação a diferentes espaços.
“Quando a gente viu que nosso modelo de negócio não está lá fora, esse é um produto brasileiro”, afirmou Mauri. Segundo ele, embora mercados como Estados Unidos, China e Europa estejam à frente em diferentes tecnologias de varejo, o formato de minimercados autônomos desenvolvido no Brasil ainda encontra pouca equivalência em outros países. “A gente viu a oportunidade de levar esse modelo de negócio que funcionou aqui no Brasil para mercados até mais maduros em tecnologia e varejo, como Estados Unidos e Europa.”
A primeira experiência internacional da rede aconteceu em Dubai, a partir de uma parceria originada com a ONI, empresa especializada em tecnologia para varejo autônomo que se fundiu à Minha Quitandinha. Segundo Mauri, um único operador já mantém cerca de cinco ou seis unidades no emirado. Estados Unidos e Europa ainda estão em fase de implantação.
Nos Estados Unidos, a rede trabalha com franqueados e concentra a prospecção inicial na Califórnia, especialmente em San Diego. A estratégia deve priorizar empresas, dormitórios universitários e outros locais com fluxo recorrente de pessoas, em vez do modelo de condomínios residenciais que concentra boa parte da operação brasileira. Fora do País, a marca também passa por adaptação: nos Estados Unidos, a operação recebeu o nome Grabbit, enquanto em Portugal a companhia ainda avalia manter Minha Quitandinha.
Tecnologia sustenta expansão
A internacionalização também passa diretamente pela tecnologia. A operação não depende de funcionários permanentes no ponto de venda, o que transforma sistemas de pagamento, aplicativos e infraestrutura digital em parte central do funcionamento das lojas.
“Hoje o nosso grande diferencial é ter essa tecnologia, ter um time de desenvolvimento próprio e ter agilidade nisso”, disse Mauri. Segundo ele, a entrada em novos países exige adaptação de meios de pagamento, tradução dos aplicativos e adequação a regras fiscais e legais específicas de cada mercado.
A fusão com a ONI reforçou esse componente tecnológico. A empresa passou a concentrar o desenvolvimento dos sistemas utilizados pela rede, enquanto a Minha Quitandinha assumiu as operações de varejo. Mauri afirma que a companhia já testa recursos como reconhecimento facial para entrada e pagamento e ferramentas de visão computacional voltadas ao controle de perdas.
Para o executivo, uma das vantagens do modelo está justamente na simplicidade. Em vez de adotar soluções com alto investimento em sensores e equipamentos, a empresa busca manter uma estrutura de menor custo. “A gente criou um modelo que funciona e é barato”, afirmou. Segundo Mauri, esse desenho é um dos fatores que tornam a operação escalável em outros países.
Meta de mil lojas
No Brasil, a expansão continua sendo puxada pela abertura de novos pontos. Mauri afirma que a empresa não tem como principal estratégia aumentar simplesmente o número de franqueados, mas fazer com que os atuais operadores ampliem suas redes.
“Nossa ideia não é vender franquia, nossa ideia é abrir mais lojas e trazer essa oportunidade para os franqueados”, disse. Segundo ele, a companhia mantém um time interno dedicado à busca de novos pontos em condomínios, empresas e outros ambientes de circulação, além de apoiar cerca de 500 franqueados na prospecção de locais.
A rede também ganhou escala nacional. Cerca de metade das unidades está hoje no Estado de São Paulo, enquanto a outra metade se distribui por 22 estados. Norte e Nordeste estão entre as regiões apontadas pela empresa como áreas de maior potencial de crescimento.
O modelo, segundo Mauri, permite abrir lojas em diferentes regiões com estrutura centralizada e processos majoritariamente digitais. Projetos, treinamentos e fornecedores são organizados pela companhia, o que reduz a dependência de presença física da franqueadora para expansão.
Mercado deve passar por consolidação
A Minha Quitandinha estima que existam hoje cerca de 20 mil minimercados autônomos no Brasil. Para Mauri, o mercado ainda tem espaço relevante para crescer, mas deve passar por uma fase de consolidação.
Segundo ele, boa parte das operações existentes pertence a pequenos operadores regionais, muitas vezes com poucas unidades. À medida que essas empresas crescem, começam a enfrentar maior complexidade logística, de compras e gestão, abrindo espaço para integração com redes maiores.
“A gente está vendo um segundo movimento já dessa abertura de lojas, que é essa consolidação”, afirmou. A Minha Quitandinha já vem incorporando pequenos operadores à rede, seja pela conversão das unidades em franquias da marca, seja pela transferência das lojas para franqueados existentes.
Para a companhia, chegar às 1.000 operações em 2026 é, portanto, menos um ponto de chegada do que uma etapa de uma estratégia que combina escala nacional, consolidação do mercado e expansão internacional.