Com mais de três décadas de experiência em empresas multinacionais, a diretora de marketing da P&G, Marcela Mariano, defende que o cotidiano passou a ser o principal território de disputa entre as marcas. Segundo a executiva, as transformações nos hábitos de consumo e o acesso constante à informação fizeram com que as decisões do consumidor fossem cada vez mais influenciadas por experiências práticas do dia a dia.
De acordo com Mariano, as empresas precisam ir além das pesquisas tradicionais e acompanhar sinais culturais e comportamentais que surgem em tempo real. “Hoje não basta olhar apenas para dados racionais. É necessário entender os contextos e acompanhar a jornada do consumidor ao longo do tempo, de forma genuína”, afirma.
A especialista destaca que categorias ligadas ao universo doméstico e ao cuidado pessoal tendem a ganhar relevância justamente por estarem inseridas na rotina das pessoas. Nesse cenário, produtos que simplificam tarefas, proporcionam conforto ou melhoram a experiência diária tornam-se diferenciais competitivos importantes.
Outro movimento observado é a convergência entre categorias. Um exemplo citado é a expansão de fragrâncias para além dos perfumes tradicionais, alcançando itens como desodorantes, hidratantes, body splashes e até perfumes para cabelo. Essa estratégia, segundo Mariano, cria vínculos emocionais com o consumidor e fortalece a identidade da marca em diferentes momentos do dia.
A executiva também ressalta mudanças no perfil do profissional de marketing. Para ela, o domínio técnico continua essencial, mas já não é suficiente. O novo cenário exige capacidade analítica, compreensão do negócio e foco em resultados concretos. “Um bom marqueteiro precisa se apaixonar por resultados, não por projetos”, resume.
Mariano avalia ainda que o marketing deixou de ser apenas um departamento de comunicação e passou a ocupar papel estratégico dentro das organizações, contribuindo diretamente para geração de valor, crescimento sustentável e competitividade.
Por fim, ela aponta três pilares fundamentais para as empresas que desejam se manter relevantes: presença consistente de marca, inovação contínua e distribuição eficiente. Segundo a executiva, investir apenas em um desses fatores não garante sucesso. “Sem construção de marca, a inovação perde relevância. Sem inovação, a distribuição se torna insuficiente. É o equilíbrio entre esses elementos que sustenta o crescimento”, conclui.
Fonte: Valor Econômico: