O varejo não tem tempo – E a IA virou questão de sobrevivência

Fornecedores como a Infor reposicionam suas soluções para atender o varejo de ponta a ponta com IA embarcada e automação

Se existe uma coisa que o varejo não tem, e isso ficou muito claro na NRF Retail’s Big Show 2026, é tempo. Não dá mais para esperar entender os rumos da Inteligência Artificial (IA) para começar a usá-la no negócio. É preciso agir agora, porque a concorrência só aumenta e o timing pode ser o segredo entre ter um bom 2026 ou ficar para trás.

Talvez por isso essa tenha sido a vez em que a NRF melhor conseguiu tangibilizar uma tecnologia em ascensão. Nos estandes, palestras e conversas, a IA apareceu menos como promessa e mais como ferramenta para resolver problemas concretos do dia a dia do varejo.

“Quando o problema a ser sanado está claro, as empresas conseguem compreender melhor o retorno dos investimentos e tomar decisões mais rapidamente”, destaca Waldir Bertolino, country manager da Infor para o Brasil e a América Latina. “As empresas levaram para a NRF 2026 IA aplicada ao negócio, com um porquê, um objetivo. Muitas soluções foram mostradas com foco em um problema de um negócio específico.”

IA e IA generativa no ERP

A própria Infor vem apostando fortemente em IA e IA generativa já embarcadas em suas soluções para o varejo, como o ERP (Enterprise Resource Planning). E sem custo adicional.

Além disso, desenvolveu o que chama de “cards”, soluções modulares e pontuais para problemas específicos. “Qual é o seu problema? Reposição de estoque na loja? A gente mapeia isso e volta com uma solução modulada”, explica Bertolino. Mais uma vez, agilidade é a palavra. “Esse é um processo que dura de quatro a doze semanas. No final, eu mostro o cenário e como ele pode ser melhorado.”

Para além das rotinas administrativas

A Infor estrutura toda sua oferta a partir de um ERP que funciona como espinha dorsal da operação, indo além das rotinas administrativas tradicionais. No varejo, esse ERP também cobre etapas de manufatura e logística, especialmente relevantes para empresas que produzem, montam ou operam cadeias de suprimento complexas. Entre os clientes da empresa que lidam com esse tipo de complexidade, estão Puma, North Face e Columbia.

Dentro do ERP está o WMS (Warehouse Management System), responsável por toda a gestão de armazém — do recebimento ao armazenamento, separação e expedição. Isso garante que estoque, pedidos e logística operem de forma sincronizada.

E, conectado a essa base operacional, está o CPQ (Configure, Price, Quote), um motor de configuração de produtos que permite visualizar componentes, combinações possíveis, preços e custos. A ferramenta apoia tanto o cliente final quanto os times internos, oferecendo clareza sobre a composição do produto antes da venda ou da produção.

IA antecipando cenários

Para dar previsibilidade a toda essa engrenagem, a Infor oferece soluções de supply chain e demand planning que abrangem toda a cadeia de suprimentos, com previsão de demanda e processos de S&OP embarcados. “Essas soluções já vêm com IA integrada, ajudando a antecipar cenários, equilibrar estoques e alinhar produção, compras e logística”, observa Bertolino.

Um dos principais diferenciais é o modelo multi-tenant, que, ao permitir o uso da mesma aplicação por clientes diferentes, conta com atualização constante. “No ERP tradicional, a cada dois anos você precisa fazer upgrade. Aqui, não. Já está tudo embarcado. O cliente tem previsibilidade financeira e está sempre na última versão, inclusive atendendo legislação”, explica.

Essa base tecnológica também sustenta o PLM (Product Lifecycle Management), solução voltada à gestão do ciclo de vida do produto. A ferramenta apoia desde o estudo de mercado e análise de tendências até o cálculo de custos, definição de equipes, lançamento e acompanhamento do desempenho. Após a entrada do produto no mercado, os cenários podem ser ajustados em tempo real, oferecendo uma visão integrada de ponta a ponta.

Aprimoramentos pós-2014

Embora a Infor tenha mais de 30 anos de atuação, a aceleração dessa estratégia ocorreu a partir de 2014, com uma parceria estruturante com a AWS. A partir daí, a empresa iniciou a reconstrução de suas soluções para operar integralmente em nuvem e em arquitetura multi-tenant, abrindo espaço para maior escalabilidade, atualizações contínuas e incorporação nativa de IA.

Nos últimos dois anos, esse movimento se acelerou com o lançamento do Velocity Suite, um conjunto de funcionalidades integradas a todas as soluções da companhia. Ele se conecta ao conceito de Industry Process Cloud (IPC), no qual processos padrão de cada indústria já vêm preparados para receber agentes específicos de IA e IA generativa.

“Como os clientes já usam esses processos, conseguimos testar e evoluir a tecnologia rapidamente. O grande salto foi a automação”, afirma.

Fonte : https://mercadoeconsumo.com.br/21/01/2026/noticias-varejo/o-varejo-nao-tem-tempo-e-a-ia-virou-questao-de-sobrevivencia-2

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