saúde mental passou a ocupar um papel central nas decisões profissionais da Geração Z. Segundo levantamento global da Deloitte, o bem-estar psicológico figura entre as principais prioridades desses profissionais, especialmente diante da percepção de que o trabalho contribui para altos níveis de estresse.
Esse movimento também evidencia desafios para modelos tradicionais de gestão. Estruturas excessivamente hierárquicas, lideranças autoritárias e falhas na comunicação tendem a gerar maior rejeição entre os jovens, que valorizam ambientes mais transparentes e colaborativos.
Para Jéssica Palin Martins, psicóloga, advogada, especialista em saúde mental corporativa e fundadora da IntegraMente, a mudança reflete uma transformação profunda na relação entre empresas e colaboradores. “A Geração Z não separa desempenho de saúde emocional. Quando há falta de escuta, insegurança psicológica ou incoerência entre discurso e prática, a desconexão acontece rapidamente”, afirma.
O tema ganhou ainda mais relevância com as recentes mudanças regulatórias. A Lei nº 14.831/2024 instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, estabelecendo critérios para reconhecer organizações que adotam políticas estruturadas voltadas ao bem-estar emocional dos colaboradores. Além disso, a Portaria nº 1.419/2024, do Ministério do Trabalho, atualizou a NR-1 e reforçou a necessidade de identificar, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais no ambiente corporativo.
A percepção externa sobre como uma empresa trata seus colaboradores passou a influenciar diretamente sua capacidade de atrair talentos. “Essa geração pesquisa cultura, acompanha reputação e observa coerência. O discurso institucional precisa corresponder à experiência real de quem trabalha ali. Quando isso não acontece, a perda não é apenas de talentos, mas de credibilidade”, destaca a psicóloga.
Fonte : https://samais.com.br/publicacoes/saude-mental-se-torna-fator-decisivo-para-atracao-e-retencao-da-geracao-z