Supermercados podem transformar a Reforma Tributária em vantagem competitiva

Leonardo Bastos – Superfood Contábil

A reforma tributária entra em uma nova etapa a partir de 3 de agosto de 2026, onde empresas do regime regular passarão a emitir documentos fiscais eletrônicos obrigatoriamente com o preenchimento dos campos relativos ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), incluindo a alíquota teste de 1%. A mudança, determinada pelo Comitê Gestor do IBS, ganha peso no setor supermercadista, que trabalha diariamente com milhares de produtos, fornecedores e regras tributárias distintas.

Leonardo Bastos, contador, perito contábil judicial e MBA em Direito Tributário e Auditoria Digital, fundador da Superfood Contábil, empresa especializada em contabilidade estratégica, inteligência tributária e gestão contábil para supermercados, minimercados e empresas do setor alimentício, afirma que a reforma tributária representa mais do que uma adaptação obrigatória.

Segundo ele, o momento oferece uma oportunidade para tornar a operação mais eficiente e fortalecer a gestão fiscal. “A reforma tributária obriga as empresas a olharem para processos que muitas vezes permaneceram inalterados durante anos. Quando um supermercado revisa cadastros, classificação fiscal, parametrização e integração entre sistemas, ele reduz erros, melhora a qualidade das informações e ganha capacidade para tomar decisões com muito mais segurança”, afirma.

Reforma tributária exige organização operacional

A obrigatoriedade do preenchimento dos novos campos fiscais exige que empresas revisem informações de produtos, NCMs, regras tributárias, integrações entre ERPs, sistemas de frente de caixa e emissão de documentos fiscais. Sem essas adequações, as notas fiscais poderão ser rejeitadas pelos sistemas autorizadores a partir da nova fase da implementação.

Nos supermercados, o desafio tende a ser ainda maior devido ao grande volume de itens cadastrados e à diversidade de fornecedores. Uma inconsistência em apenas parte desse cadastro pode provocar retrabalho operacional e atrasos na emissão de documentos fiscais. “A preocupação não deve ser apenas cumprir uma obrigação legal. Quem aproveitar esse processo para organizar a operação estará construindo uma base muito mais sólida para os próximos anos da reforma tributária”, explica o contador.

Eficiência fiscal pode gerar vantagem competitiva

Dados da Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, mostram que o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo permanece entre os principais responsáveis pelo desempenho do comércio varejista brasileiro, refletindo a importância econômica do setor e o impacto que mudanças tributárias podem provocar sobre sua operação.

Segundo o perito, empresas que utilizarem este período para revisar processos internos poderão reduzir inconsistências fiscais, melhorar controles e transformar informações tributárias em indicadores gerenciais. “Durante muitos anos, o departamento fiscal foi visto apenas como uma área de cumprimento de obrigações. A reforma tributária aproxima definitivamente a gestão tributária da estratégia empresarial. Quanto maior a qualidade dos dados, maior também será a capacidade de controlar custos, proteger margens e identificar oportunidades de eficiência.”

Revisão de processos deve permanecer após a transição

Na avaliação do especialista, o processo de adaptação não termina quando os novos campos forem implementados. A tendência é que os supermercados passem a adotar uma rotina mais frequente de auditoria de cadastros, revisão tributária e integração tecnológica. “Os empresários que enxergarem essa mudança apenas como uma obrigação provavelmente farão o mínimo necessário. Já aqueles que utilizarem a reforma tributária para reorganizar a empresa poderão ganhar produtividade, segurança fiscal e qualidade nas informações para a tomada de decisão. A legislação muda, mas uma gestão bem estruturada permanece gerando resultado muito depois da transição.”

Para o executivo, a reforma tributária marca o início de uma nova fase para o varejo alimentar, na qual tecnologia, inteligência tributária e qualidade da informação passam a ter impacto direto sobre competitividade, rentabilidade e crescimento sustentável dos supermercados.

Sobre Leonardo Bastos

Leonardo Bastos é empresário, contador, perito contábil judicial, investidor e especialista em crescimento empresarial. Formado em Ciências Contábeis, possui MBA em Direito Tributário e Auditoria Digital e atua na área de contabilidade estratégica, inteligência tributária, consultoria empresarial e desenvolvimento de negócios. É sócio da MLS e fundador do Magnus Club, comunidade voltada à formação e conexão de empresários.

Com trajetória construída a partir do empreendedorismo, Leonardo iniciou sua carreira ainda jovem e, após vender sua primeira empresa em uma operação milionária, passou a atuar na estruturação e aceleração de negócios. Atualmente, lidera um grupo empresarial que atende centenas de empresas em todo o Brasil, com foco em crescimento sustentável, eficiência operacional, gestão estratégica e aumento de lucratividade.

Fonte : https://www.contadores.cnt.br/noticias/artigos/2026/08/07/supermercados-podem-transformar-a-reforma-tributaria-em-vantagem-competitiva.html?utm_medium=email&utm_content=noticia_link&utm_campaign=07_08_2026&utm_source=newsletterguia

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