Da gestão de concessionárias à redução de risco: eficiência ambiental se consolida como estratégia de margem e posicionamento
Durante anos, o tema sustentabilidade no varejo alimentar foi tratado como agenda reputacional, importante para a imagem, mas distante do centro da operação. Esse cenário mudou. Hoje, quando bem estruturada, essa estratégia impacta diretamente na margem, previsibilidade de custos e resiliência do negócio.
Para Felipe Mendes, diretor Comercial da T&D Sustentável, uma virada acontece quando a sustentabilidade deixa de ser discurso e passa a integrar a estratégia operacional. “No varejo alimentar, água e energia estão no coração da estrutura de custos. Estão na produção, higienização, refrigeração e manutenção da loja. Mas, em muitas redes, esses insumos ainda são geridos de forma reativa, tratando apenas da fatura mensal”, afirma.
Esse modelo, segundo ele, gera dois problemas clássicos: desperdício invisível e baixa previsibilidade de custo. Vazamentos não testados, consumo fora do padrão em horários de baixa operação, equipamentos de refrigeração com baixo desempenho e gasto energético elevado após o fechamento da loja são exemplos recorrentes.
Quando a gestão passa a ser ativa, com monitoramento contínuo, metas de eficiência e acompanhamento por unidade, a sustentabilidade começa a impactar diretamente a margem operacional. “Nesse momento, ela deixa de ser obrigações regulatórias e passa a ser instrumento real de competitividade”, explica Mendes.
Há ainda um componente estratégico relevante: gestão de risco. Em um cenário de estresse hídrico, volatilidade tarifária e exigência ESG crescentes, redes mais eficientes operam com menor exposição a oscilações e maior resiliência. Sustentabilidade, nesse contexto, significa proteger a caixa e garantir a estabilidade operacional.
Mas como transformar a eficiência interna em valor percebido pelo consumidor? O primeiro passo é claro: transformar iniciativas em indicadores. Sem métrica, não há gestão. E sem gestão, não há resultado consistente. Indicadores de consumo por loja, por metro quadrado ou por faturamento precisam estar no mesmo painel que perdas, ruptura e margem. A eficiência de recursos deve ser classificada como variável de desempenho.
O monitoramento contínuo é possível identificar desvios rapidamente e corrigi-los antes que se tornem personalizados permanentes. Esse nível de controle, além de reduzir despesas, melhorar a previsibilidade e embasar decisões estratégicas, como modernização de equipamentos e adoção de novas tecnologias.
O valor percebido pelo cliente surge como consequência dessa maturidade operacional. Redes que transmitem resultados concretos como percentual de redução de consumo, volume economizado, metas cumpridas fortalecem reforço e posicionamento de marca.
Fonte : https://www.supervarejo.com.br/especial/sustentabilidade-como-diferencial-competitivo-no-varejo