Estudo do Nu Empresas aponta que tarefas consomem até 11 horas no varejo e levam 85% a deixar decisões estratégicas
Empreendedores dedicam, em média, nove horas por semana a tarefas burocráticas e financeiras, o que representa mais de um dia útil de trabalho consumido por atividades operacionais, como pagamentos, cobranças e conciliação. Ao longo de um ano, esse tempo soma aproximadamente 468 horas, o equivalente a quase três meses de expediente sem gerar uma única venda.
Os MEIs dedicam cerca de 8 horas semanais à burocracia, enquanto micro e pequenas empresas gastam, em média, 10 horas. No varejo, o tempo sobe para 11 horas por semana, segundo o estudo “Tempo é dinheiro: quanto a burocracia financeira custa ao pequeno negócio brasileiro”, encomendada pelo Nu Empresas à Bridge Research. O levantamento ouviu 1.200 donos de pequenos negócios em todo o Brasil, entre clientes e não clientes do Nubank, em julho deste ano.
As principais tarefas que consomem o tempo dos empreendedores são as obrigações fiscais e tributárias (43%), o controle de entradas e saídas (41%) e a emissão de notas fiscais (40%).
A conciliação dos recebimentos aparece em seguida, com 30%. A sobrecarga também afeta decisões estratégicas, 85% dos entrevistados deixaram de realizar alguma atividade desse tipo nos últimos três meses por falta de tempo, enquanto 68% afirmam que o negócio seria mais lucrativo com menos burocracia.
A desconexão da Inteligência Artificial
O estudo também mostra que, embora 66% dos donos de empresas brasileiras utilizem ferramentas de Inteligência Artificial, a adoção se concentra na criação de conteúdo. Entre os usuários, 68% recorrem à tecnologia para redigir textos e 63% para produzir imagens e vídeos. Já na gestão do negócio, o uso é menor: apenas 30% utilizam IA em tarefas financeiras ou administrativas.
Essa diferença também aparece nas ferramentas usadas no dia a dia: 53% dos empreendedores ainda gerenciam o fluxo de caixa em planilhas, enquanto 23% recorrem a anotações manuais em papel ou cadernetas.
Caixinhas PJ
Dados de setembro de 2026 da base de clientes do Nu Empresas mostram como os empreendedores utilizam as ferramentas de organização financeira. Entre os usuários das Caixinhas PJ, 77% têm ao menos uma reserva dedicada a um objetivo específico. Desse total, 63% estão ligadas ao planejamento, como imprevistos e melhorias, e 18% à rotina financeira, como fluxo de caixa, capital de giro e pagamentos.
Os dados também mostram que 86% desses clientes mantêm algum valor nas caixinhas por mais de 30 dias.