TST: vendedora com depressão relacionada ao trabalho receberá R$ 80 mil

Jurídico

O Tribunal reconheceu a relação entre a doença e o ambiente profissional, marcado por cobranças excessivas e assédio moral.

A 3ª turma do TST manteve a condenação da Claro ao pagamento de R$ 80 mil de indenização a uma vendedora que desenvolveu depressão e outros transtornos psiquiátricos relacionados ao trabalho. O colegiado considerou que o TRT da 4ª região reconheceu, com base nas provas do processo, o nexo entre o adoecimento e as condições de trabalho, além da ocorrência de assédio moral, e que a revisão dessas conclusões exigiria o reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 126 do TST.

A trabalhadora atuou por quase três anos em uma loja da operadora em Canoas/RS, onde era responsável pelo atendimento direto ao público.

Na ação, relatou que enfrentava reclamações frequentes de clientes em razão da falta de estrutura da empresa e que também era submetida a humilhações e cobranças excessivas de metas por seus superiores.

Segundo a vendedora, as condições de trabalho provocaram insônia, estresse e crises de ansiedade, que evoluíram para um quadro de depressão. Ela afirmou que precisou de acompanhamento psiquiátrico e uso de medicamentos, com repercussões em sua vida pessoal e familiar.

Ao analisar o caso, o TRT da 4ª região reconheceu, com fundamento em laudo pericial, a existência de relação entre os transtornos psiquiátricos apresentados pela empregada e as atividades profissionais.

O Tribunal também considerou comprovada a ocorrência de assédio moral e fixou a indenização em R$ 80 mil.

A Claro recorreu ao TST, sustentando que o valor estabelecido era desproporcional e ultrapassava o montante pedido pela trabalhadora.

Relator do recurso, o ministro Alberto Bastos Balazeiro manteve a decisão regional.

Segundo o magistrado, o TRT fundamentou a condenação nas provas produzidas no processo, tanto em relação ao vínculo entre o adoecimento e o trabalho quanto à ocorrência de assédio moral.

Nesse contexto, concluiu que modificar o entendimento da instância regional exigiria uma nova análise do conjunto fático-probatório.

O procedimento, contudo, é vedado pela Súmula 126 do TST, que impede o reexame de fatos e provas em recurso de revista.

Assim, a 3ª turma manteve a condenação da Claro ao pagamento de R$ 80 mil à trabalhadora.

Processo: RR-0020776-61.2023.5.04.0201

Fonte : https://www.migalhas.com.br/quentes/467522/vendedora-com-depressao-relacionada-ao-trabalho-recebera-r-80-mil

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